Gingando pela Paz no Haiti

Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Archive for the ‘O Haiti é aqui’ Category

Nem anjo, nem demônio

Posted by flaviosaudade em 07/11/2010

 

Um dia, em viagem com amigos a Santo Domingo, um homem se acercou do automóvel oferecendo-se para limpar o vidro. Como de costume, dissemos não precisar. E como de costume, ele já havia iniciado o serviço. Levantava a camisa mostrando uma deformação no peito e dizia ter fome. Podem ajudar com qualquer coisa, dizia ele com uma expressão de sofrimento, quase dor. Em meio a nossa contestação, dissemos vivermos no Haiti, quando o homem surpreso desatou a falar, dizendo que ficava muito preocupado com todo sofrimento do povo haitiano. Não sei como Deus permite isso, disse ele quando começou a alterar-se. Olha pra mim, e mostrou seus braços tomado por cicatrizes. Mas lá, é muito sofrimento! Até que se descontrolou. É uma desgraça atrás da outra! Uma desgraça atrás da outra! E outra! E outra! E fazia gestos como se golpeasse alguma coisa. Saímos com o carro um tanto apreensivos enquanto ele ainda demonstrava de forma enfática a sua imcompreensão.

Temos ouvido essas perguntas constantemente. Qual a razão de tanto sofrimento? Por que o Haiti, um país que já sofre tanto? Terremoto, doenças, ciclones… Realmente é impresssionante a acumulação de tantos problemas em um só lugar (metade de uma ilha, diga-se de passagem). Talvez seja humano julgar tudo isso um ato de injustiça divina. No entanto, acredito que tudo isso deve ter uma razão de ser. E hoje, após permancer em casa por dois dias por força do Tomas, ciclone que nos fez uma breve visita, acordei às 5:30 da manhã com essas perguntas fervilhando em minha cabeça. Desci para o café, ouvi Cesaria Evora, recordei amigos, senti saudade de uma Angola, apesar da Cesaria ser de Cabo Verde, comi pão com ovos, banana com mel… Mas as idéias permaneceram como as núvens cinzas que tomaram o céu da Capital estes últimos dias.

Por que?

Talvez as respostas tenham me encontrado. Pelo menos aquelas que respondem às minhas perguntas em particular. E hoje vejo que elas estiveram sempre aí, tão presentes nas desgraças, que faz sangrar as nossas almas, quanto nas alegrias, que nos cura muitas vezes sem que nos demos conta. Estiveram tão presentes no olhar de uma criança faminta quanto nas meninas que caminham de mãos dadas para a escola com seus uniformes coloridos e laços na cabeça. Estiveram tão presentes no semblante castigado de uma mulher que da vida aprendeu somente do trabalho quanto na imagem de um pai que vela o sono do seu filho em uma tenda. Estiveram tão presentes no olhar perdido de um velho que não pensava viver suficiente para ver tanta tristeza quanto na vitalidade de um moleque que parece uma borboleta que acabou de sair do casúlo. Estiveram tão presentes nos corpos em decomposição jogados pelas ruas quanto naqueles que dançam, que suam e que vibam ao som do tambor.

As respostas sempre estiveram lá, todo o tempo.

O Haiti é um exemplo para toda humanidade e um anúncio de que precisamos recriar a forma de nos relacionar com o mundo, com as pessoas, com nós mesmos. Que não podemos continuar consumindo o nosso tempo criando e recriando vícios antigos que nos torna pesados à nossa própria existência. O Haiti, este país que tantos dão graças por estarem longe e outros tantos se esforçam para estar perto, nos oferece a oportunidade para descobrir o que de melhor há em nós. O Haiti, onde exércitos das mais diversas nações uniram-se para salvar vidas e não para consumi-las, onde seres humanos das mais diferentes nacionalidades, com os mais variados costumes comungam no desejo de tornar menos sofrida a vida de pessoas que jamais viram. O Haiti, que nos ensina que existe uma nacionalidade apenas: a humana.

E quando olho para mim, quando me permito olhar realmente para mim, é que não tenho qualquer dúvida da importância deste país para todos nós. Quando recordo que antes do tremor perdi preciosos momentos da minha vida em disputar o quarto mais cômodo. Quando foi justamente neste quarto, preso e em desespero, que passei os segundos mais longos da minha vida e por pouco não encerrei aí esta minha existência. Quando lembro que me permitia gastar o meu punhado de areia fazendo senso de valores, é que não tenho dúvida do quanto podemos aprender com o Haiti. Com ele sigo aprendendo mais da vida, das pessoas e do amor, que é exercício. Quem não somos anjos nem demônios e que devemos nos esforçar para viver de maneira consciente, sem culpa pelo fomos, sem vergonha de aceitar o que somos, sem medo de desejar o que seremos. O Haiti mora em cada um de nós, quer desejamos ou não. E dou graças a esta terra e sua gente que me permite tornar-me mais humano a cada dia.

Por fim, ou por início, encontramos novamente o homem do sinal, que saltou de alegria ao nos reconhecer. Meus amigos do Haiti! Gritava ele enquanto lavava o vidro do carro com uma alegria contagiante. A vida dá muitas voltas, o mundo não pára de girar. É impossível dizer que nunca precisaremos que limpem o nosso vidro ou que não seremos nós a limpar os vidros dos outros.

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Que lições podemos tirar da tragédia que abalou o Haiti?

Posted by flaviosaudade em 02/02/2010

 

Passados alguns dias do terremoto, paira no ar bem mais que a poeira e as moscas; sentimentos se misturam e nos colocam à prova a todo instante: medo, coragem, esperança, desolação, saudade, ansiedade, alegria. Perguntas povoam o pensamento e muito provavelmente resistirão por um longo tempo, mais tempo do que todo o escombro levará para ser removido.

O terremoto não fez desmoronar apenas edifícios, vidas e sonhos; não só rompeu laços e desfez estruturas de vida que levaram anos para serem edificadas, mas evidenciou a necessidade de repensarmos a nossa própria maneira de viver, principalmente de agir uns com os outros. Nos ofereceu uma preciosa oportunidade para refletir sobre alguns aspectos de nossas vidas e sobre o próprio sentido da palavra humanidade.

Certeza que tenho, é que existe uma razão para tudo que aconteceu, para que cada um de nós estivesse aqui. Sigo acreditando que nada acontece por acaso. E se ainda não temos a permissão de entender o porque de todas as coisas, resta-nos refletir e tentar extrair o máximo de aprendizagem possível; um exercício que não deve ser feito com pressa, apesar da urgência; que não deve ser movido pela necessidade de encontrar verdades, pois elas podem ser tão frágeis quanto muitas estruras se mostraram ser.

É este exercício que farei agora. E se existem lições, e acredito que existam, cabe a cada um encontrar aquela que melhor atenda às suas necessidades e aspirações.

A primeira lição que pude extrair- a primeira que me veio à mente após conseguir me ordenar emocionalmente – é sobre a brevidade da existência. Vivemos como se ela fosse durar para sempre, como se nós e todos aqueles que amamos fossem estar conosco, fisicamente, sem que pudessem nos deixar um dia. Enquanto que a existência é como um tênue fio, que pode romper-se quando menos esperamos; como uma pipa outrora suspensa no ar, e que sem aviso “estanca” quando a linha se rompe de um sopetão. Ficando também o desejo de sair correndo para recuperá-la, para tê-la novamente conosco, ocupando o seu pequeno e precioso espaço em nosso céu particular.

A segunda, é a de que precisamos, urgentemente, retomar a nossa relação com a natureza. Apesar de ser um filme, realmente me inspirou Avatar. Ainda que tantos outros tenham nos chamado a atenção para a mesma necessidade, de nos convidarem a refletir sobre a nossa ação na natureza, oferecendo-nos a oportunidade de mudar o nosso olhar e a nossa relação com a mãe terra, esta produção em especial falou-me muito ao coração. Sempre achei que perdemos tempo demais reproduzindo as nossas agrúras e multiplicando os nossos medos; tempo demais nos alimentando de guerra, violência, terror, quando já os temos em quantidade suficiente pelo mundo. No caso de Avatar, posso dizer que senti uma forte carga de espiritualidade nele, de esperança. Pude ver gerações compartilhando o mesmo sentimento, que se ainda não sei como definir em palavras, sinto que chega muito perto da palavra renovação.

A terceira, é que o tempo do homem parece não diferenciar apenas em fusos, mas variar de acordo com a necessidade. Para quem está sentindo dor, o socorro parece ser mais urgente do que para qualquer outra pessoa, ainda aquele que esteja empenhado em aplacar o sofrimento. Após esta experiência, compreendi perfeitamente [acho que posso correr o risco de dizer isso] a essência das palavras do Betinho: Quem tem fome, tem pressa. Quem tem fome, quem tem dor, quem está em desespero, quem perdeu tudo, quem houve um filho chorar de dor, quem se vê impossibilitado de socorrer alguém que se encontra vivo sobre os escombros implorando socorro. Essa lição fez-me perceber que o tempo do homem depende da esfera, ou nível de envolvimento de cada um.

A quarta lição, é influenciada pela anterior. Pessoas que estão envolvidas, bem de perto muitas das vezes, mas que lamentavelmente, dolorosamente, empenham a inteligência e meios para saciar a sua ganância. E enxergam no sofrimento apenas uma oportunidade para colher seu quinhão. Se muito ou pouco, se arracam dos dedos inertes os anéis que sempre ficam; se forçam com madeiras e ferros a abertura das bocas que outrora rezavam à procura de vil metal; se chegam ao extremo de enxergar na infância a matéria prima para traficar as suas abomináveis necessidades… Ainda assim, cada um deles carrega consigo valores mais pútridos do que o odor que exala dos escombros.

A quinta, é do quanto corremos riscos quando nos preocupamos em “ser”. Tomamos muito tempo nos preparando para isso, e neste caminho nos sentimos por vezes ameaçados, seja naquilo em que temos como nossas certezas, seja naquilo que julgamos serem nossas necessidades. Muitas vezes vestimos uma armadura tão pesada, empunhamos tantas armas, que mal podemos estender a mão para um cumprimento. Nos preocupamos em carregar tantas coisas que tornamos nossos passos mais lentos e a viagem mais longa. Quando a melhor maneira de “ser”, é ser com os outros. Que apenas assim, com os outros, conseguiremos forjar a nossa mais forte armadura e armas. Que apenas na companhia de outros a viagem é mais segura e menos cansativa.

A sexta lição é que, ainda que as necessidades irrompam em nós o desejo de ser útil em todas as áreas, devemos ter bastante claro os nossos limites. Principalmente, quando a situação é bem maior do que nós e a solução parece estar acima das nossas possibilidades. Sem dúvida, um sentimento de incapacidade nos invade, de desolação e muitas vezes de culpa. No entanto, devemos nos esforçar para oferecer o que de melhor há em nós, e reforçar-mos sempre em nosso espírito a certeza de que estamos fazendo o melhor.

A sétima lição, é que talvez pela primeira vez na história inúmeras bandeiras se unem para ajudar um povo. Posso estar errado, pois não falo como especialista. Independente disso, é realmente emocionante assistir tantos seres humanos juntos trabalhando para minimizar o sofrimento de seus irmãos. O que me traz a certeza ainda maior de que não há bandeiras, não há diferenças, nem sequer fronteiras quando a nacionalidade passa a ser uma apenas: a humanidade.

A oitava, trata da força que encontramos na simplicidade de uma criança. É surpreendente como elas estão sempre nos ensinando, e a todo instante nos dando um exemplo de esperança. Esperança que, assim como elas, não pára quieta, se renova sempre. E assim que deve ser. Poder partilhar com elas desse momento é sem sombra de dúvidas uma dádiva. É um trabalho duro, que exige muito de cada um de nós. Mas, não tenho dúvidas de que recebemos bem mais do que oferecemos. Cada olhar, cada abraço, cada sorriso. Elas chegam em bando, penduram-se em nossos braços, mãos, nos agarram pelas roupas. Elas, verdadeiramente, são a nossa segurança e a nossa fortaleza. Com elas somos grandes e sonhamos alto. E por elas, principalmente, seguimos em frente.

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Cité Soleid: a Maré Haitiana

Posted by flaviosaudade em 17/09/2009

  

Faixada de uma das casas de Cité Soleid

Faixada de uma das casas de Cité Soleid

 

Cité Soleid é um dos bairros da Capital Porto Príncipe que ficou conhecida pelos intensos conflitos em meados de 2003. Um triste momento que rendeu até um filme intitulado Massacre em Cité Soleid. Ainda não tive a oportunidade de assistir, mas pelo que dizem a produção mostra claramente a onda de violência que lavou de sangue as ruas. E as marcas ainda podem ser vistas nas paredes e muros de casas; cenário que lembra muito algumas comunidades do Rio de Janeiro. 

É o caso do Complexo da Maré, um conjunto de favelas situado na Zona Norte da cidade  que assim como Cité Soleid carrega as marcas causadas pelo conflito entre gangues armadas. No Rio um exemplo pode ser visto entre as comunidades da Nova Holanda e o Morro do Timbau, a chamada “Faixa de Gaza”. Inúmeras perfurações de armas de fogo, dos mais variados calibres fazem as casas parecerem um queijo suiço. Em uma escola que fica exatamente na divisa encontramos os vidros das salas de aula quebrados, paredes perfuradas e pode-se ter uma pequena idéia dos tormentos que professores, alunos e funcionários são obrigados a passar.   

Em Cité Soleid as marcas da guerra permanecem, nas casas, nos corpos, na memória daquela gente; como um açoite que não cessa e que aflige a todos sem distinção. No entanto, pelo pouco que pude ver, assim como em algumas comunidades do Rio de Janeiro, encontrei uma gente cheia de vida e de esperança que sabe celebrar muito bem a alegria de viver e que, tenho certeza, encontrará o caminho para por fim a este julgo.

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O Tabuleiro da hatiana também tem

Posted by flaviosaudade em 26/06/2009

 A Culinária Haitiana

 

Apesar do problema da fome, a culinária haitiana é bastante diversa. Uma variedade de pratos que lembram muito a brasileira, principalmente pelo consumo do arroz e do feijão e pela utilização de temperos e pimenta. Não poderia ser diferente, assim como o Brasil o Haiti é uma páis tropical e ainda mantém muito forte o traço da cozinha africana. Ainda não contam com uma feijoada como a nossa, infelizmente, mas desfilam um arroz cozido no feijão que lembra vagamente o nosso baião-de-dois, e uma variedade de pratos com cabrito bem à moda nordestina. 

Assim como a cozinha brasileira eles também possui gostos peculiares, como a carne de gato. Um hábito que me espantou apesar de no Brasil vez ou outra eu degustar de um churrasquinho de gato com farofa no final da noite. Claro, espero que seja apenas crança popular, porque se eu souber ser esta realmente a procedência da carne, não passo nem perto. A relação que tenho com o bichano não me permitiria tal proeza. Inda mais quando o gato é criado e engordado justamente para o abate. Como fez o nosso tradutor certa vez. Segundo ele, após criar por meses o felino, o abateu sem dó nem piedade e o meteu no espeto. 

 

Acra e repolho

Acra e repolho

 

Outro hábito é comer macarrão pela manhã. Tudo bem que após uma noitada às vezes acordamos com a barriga roncando tanto que até aquele macarrão que sobrou da noite anterior pode cair bem. Mas, particularmente, gosto mesmo de um bom pãozinho francês com manteiga e café. Mas, esta é uma das minhas maiores dificuldades aqui quando o assunto é manter-me firme nos hábitos brasileiros (pelo menos os meus). É incrivelmente difícil encontrar um pão francês fresco aqui. Até porque, pelo que parece, não tem nenhuma padaria. A maior parte dos pães são encontrados nos supermercados ou nas ruas, do tipo forma ou de hamburguer; alguns com algumas noites nas costas. O ideal é levar ao fono e não deixar esfriar, pois do contrário vira um bastão de maculelê. Mas, estando ele quente acompanhado de um bom azeite… realmente é uma boa pedida para a entrada no almoço ou no jantar. Essa é uma das especialidades do restaurante do Hotel Oloffsom.

No Oloffsom, após o pão uma das opções é o Poulet, o nosso famoso frango, à Criole; que pode ser acompanhado com arroz, bananas fritas, legumes e um molho apimentado. O prato custa mais ou menos 250 Goudes, algo em torno de 7 dólares. Ou então, para os amantes do “ bife-com-batatas-fritas”, o Filet de Bouf com arroz e, claro, fritas. Se a pedida for frutos do mar, Crovets, ou seja, camarão, a 500 Gourdes, Poisson, peixe. Ou um afrodiziáco Lambi. Além desses pratos é possível degustar saladas como a Cesar e a Grega, com deliciosos queijos. 

Indo para Petion-Ville podemos encontrar vários restaurantes: cozinha italiana, japonesa… Fora outros mais reservados – alguns bastante rústicos – possíveis de serem descobertos aos poucos, principalmente para quem está em regime de contenção de despesas. E para quem joga nesse time a saída é encarar um dos pratos de restaurantes populares ou as barracas pela rua. Carne, frango grelhado, bananas fritas e, é claro, bastante pimenta. O prato sai em torno de 150 Gourdes, mais ou menos 3 dólares. Uma diferença e tanto para quem joga na defesa… do bolso. 

 

 

Banca com comida na rua

Banca com comida na rua

 

Para quem deseja sentir o gostinho de Caribe a dica é pegar a estrada e seguir para uma das belas praias ao norte ou ao sul. É possível desfrutar de belas praias ainda virgens e degustar uma boa lagosta à beira-mar com  um rumsauer, a versão caribenha da nossa caipirinha que leva rum no lugar da nossa tradicional cachaça.

Não tenho dúvidas de que a culinária haitiana é bem mais rica e diversa. Estou seguro que com o tempo poderei postar outros patros e especialidades. Principalmente os doces, onde podemos encontrar a cocada. Realmente, o tabuleiro da mulher haitiana também tem.

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Novamente as Manifestações

Posted by flaviosaudade em 18/06/2009

 

Novamente as manifestações voltam às ruas da Capital Porto-Príncipe. Pelo que parece o presidente tinha até ontem, 17, para assinar o projeto que elevaria o salário mínimo de 150 para 200 Gourdes por dia, cerca de 5 dólares. O que pelo visto não aconteceu. 

Até a pouco os manifestantes estavam concentrados em torno do Palácio do Governo, no centro da Capital. Pela manhã um jovem foi morto próximo a catedral da Cidade e seu corpo foi carregado para a frente do Palácio pelos estudantes. Segundo notícias no rádio o manifestante foi morto por soldados da MINUSTAH. Mas a informação não é oficial. Estivemos hoje pela manhã em Bel-Air, passamos próximo ao Palácio, nas imediações da catedral e não encontramos nenhuma viatura. Segundo informações, é provável que os manifestantes estejam atribuindo a morte do jovem à MINUSTAH. 

Manifestações próximo ao Palácio do Governo

Manifestações próximo ao Palácio do Governo

 

Normalmente, as pessoas já nos olham com estranhamento quando passamos; principalmente nos guetos. Porém, hoje o clima era outro; as pessoas nos olhavam de um jeito diferente, talvez sem acreditar que poderíamos estar ali. Se em dias comuns se vê poucos estrangeiros em Bel-Air, e quase todos em carros blindados, que dirá em dias de manifestações com carros comuns e com vidros abaixados… 

Pela tarde a situação parece ter ficado mais tensa. Muitos policiais nas ruas, disparos, correria, helicóptero sobrevoando… Mas, até onde sabemos, as militares ainda não haviam intervido. 

No domingo teremos novas eleições. A julgar pela situação o clima deve ficar ainda mais tenso. Apesar do pleito passado não ter havido problemas, com as manifestações dos estudantes acredito haver grande chance de os ânimos ficarem ainda mais exautados. Principalmente por esta manifestação, pelo o que ouvimos, ter motivação política além da reinvidicação pelo aumento do salário mínimo. 

O momento é de expectativa e cuidado.

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Época das Chuvas

Posted by flaviosaudade em 17/06/2009

 

Um ou dois meses após chegar ao Haiti, em torno do mês de novembro, fiquei impressionado com a falta de chuva. Nenhuma só gota. Sol e calor todo o tempo. Paraíso para um carioca… se as praias aqui não fossem tão distantes ou a vida noturna tão insegura. Sentia mesmo a necessidade de ouvir o som ou sentir o cheiro da terra molhada; de tomar banho de chuva como fazia quando criança. 

Mas, nem sempre o som da chuva era um bom sinal. Quando criança minha mãe, meus irmãos e eu morávamos com a minha avó. Uma casa que sofria inundações constantes com as chuvas; de verão, principalmente. Sabíamos até de qual direção vinham as tempestades mais fortes. Corre-corre na madrugada. Levantar móveis. Fechar o buraco do esgoto. Ver a água entrar e tomar conta da casa… Ao menor sinal de trovoada e já não era mais possível dormir. Quantas noites cochilei com a sensação que a água molhava meus pés? Quantas vezes ficamos na madrugada limpando a casa? 

Ontem a tarde caiu uma chuva forte em Porto-Príncipe. Após um longo período sem chuvas, hoje chove quase todos os dias. Porém, diferente da época em que eu sentia falta de ouvir o som da chuva ou o cheiro de terra molhada, hoje mais uma vez sou tomado pela preocupação. Agora com as pessoas que vivem em situação ainda pior daquela que vivi. Famílias inteiras que dividem pequeninos e rústicos cômodos, muitos deles em áreas de alto risco, que vão desde deslizamentos, contaminação. Conheci uma dessas famílias no domingo, na ocasião em que visitei a casa da menina Kimberly (ver gostas de esperança), com a Colibri e amigos da Petit Troll. Sinceramente, é difícil acreditar que seres humanos vivam naquelas condições. E eu que pensava que tinha passado grandes dificuldades em minha vida…   

Caminhamos por algumas vielas, descemos alguns pequenos barrancos, atravessamos um riacho pulando sobre algumas pedras; riacho onde algumas pessoas caminhavam sem qualquer cerimônia; e onde, aparentemente, o esgoto é lançado. A Colibri caminhava com dificuldade por conta de uma cirurgia em um dos pés e vez ou outra pulava feito o Saci-Pererê. 

Para as pessoas que moram ali o anúncio da chuva deve ser uma grande preocupação. E neste período de furacões a vida deve lhes ser ainda mais difícil. No entanto, fomos recebidos com sorrisos muito acolhedores, com alegria. E taí um legado que aproxima ainda mais o povo brasileiro do haitiano. A alegria para nós é a nossa melhor arma. Pois ela nos permite enfrentar as dificuldades sem que a esperança se perca. É uma das nossas maiores riquezas e o que de melhor podemos oferecer de aprendizado para quem ainda não provou os frutos amargos de uma existência repleta de privações. 

E como sabiamente disse mestre Leopoldia em um trecho de uma das suas canções: 

 

“Quem tem, chora miséria

Mas quem não tem, é que sempre tem pra dá” 

 

E ainda que a casa seja pequenina e simples, ainda que ela não tenha cadeiras ou uma mesa a alegria das pessoas que moram nela não tem tamanho. E entregar-se para esta alegria é como tomar um banho de chuva e sentir o corpo e a alma fresca e renovada.

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Gotas de Esperança

Posted by flaviosaudade em 14/06/2009

 

 Visita a Escolinha de Futebol da Petit Troll

 

 

Muitos já devem ter ouvido a história do Colibri que sozinho tenta apagar um incêndio na floresta. Enquanto todos animais corriam apavorados ele voava ligeiro, indo e voltando de um lago, derramando pequenas gotas de água nas chamas. Um leão, vendo suas idas e vindas lhe criticou dizendo que de nada adiantaria todo aquele esforço. Enquanto que o Colibri lhe respondeu que estava apenas fazendo a sua parte. 

Quantas vezes nos privamos de fazer o bem acreditando que não adiantará muita coisa? Que não podemos mudar o mundo? Quantas vezes pensamos que não existe solução para tantos problemas? Quantas vezes nos omitimos de estender a mão? Quantas pessoas preferem se fechar em uma casca e ignorar que no mundo existem pessoas que sequer tem o que comer ou beber? 

Indubitavelmente, todos fazemos parte da mesma seara, ou floresta, e colhemos o que plantamos. Se existem problemas, estou seguro, existem soluções. Soluções que muitas das vezes não precisam ser mirabolantes. Basta apenas acreditar, ir até o lago do coração, tomar algumas gotas e derramar nas chamas. Ainda que seja uma pequena gota, tenho certeza que fará grande diferença, principalmente para a semente que ainda está no solo esperando para nascer.  

E hoje pela manhã tive a alegria de ver mais algumas gotas que estão sendo derramadas sobre as labaredas que teimam em castigar o Haiti. À convite da Lone visitei a escolinha de Futebol da Petit Troll, nas imediações de Delma 33. Por um momento senti-me estar no Brasil, em um dos inúmeros campos de várzea. Muitas crianças; meninos e meninas uniformizadas treinando duro sob o sol quente. Faltou o samba e o churrasco para eu acreditar estar no meu país, mas não faltou a alegria…

 

 

 

 

Assim como a capoeira, o futebol também oferece muitas ferramentas para a educação. Durante os treinos, muito além de aprenderem a chutar ou conduzir bem uma bola, as crianças aprendem a trabalhar em equipe, a respeitar o próximo e, principalmente, a lidar com suas frustrações. Um desses momentos pude testemunhar enquanto observava o treino. Um dos meninos, chateado por não ter recebido o passe, saiu do campo e sentou. Pensei em ir até ele e dizer que deveria voltar, que deveria enfrentar a situação. Mas, não foi preciso. Após alguns segundos ele se levantou e voltou para o jogo. Ainda que pareça um fato normal, acredito que neste momento ele venceu um batalha. E tenho certeza que as possibilidades dele ter a mesma postura na vida, seja profissional ou pessoal, é muito grande.

 

 

  

Após o treino fomos almoçar na Petit Troll. Uma felicidade grande ver as crianças almoçando, satisfeitas, felizes… Alegria qe não tem tamanho. Quiça um dia poderemos ver essa mesma alegria em nossas crianças no projeto; após um dia de treino poder sentar e almoçar. Eu tenho um sonho….

 

 

 

   

 

 

E assim como na história do Colibri, as gotas não pararam por aí. Ainda pude visitar um casa construída pelos jovens do acampamento anterior (veja Apresentação na Petit Troll) que mudou a vida de uma família inteira.  Antes eles dividiam um pequeno cômodo de 2×2. Hoje eles contam com uma casa arejada, com quarto, sala, cozinha e banheiro; paredes brancas… A outra é a assistência que a Lone, e os jovens da Petit Troll estão oferecendo para uma menina chamada Kimberly que sofre de uma doença, ainda desconhecida, que pode cegá-la. Realmente, uma gota pode fazer muita diferença! Principalmente quando as chamas alcançam as cercas do seu quintal… 

Agradeço a Lone, agora Colibri, e aos seus amigos pelo convite, pelo carinho. Estejam certos de que para as crianças, para as pessoas que vocês ajudam esta pequenina gota é como um rio, que refresca, que ameniza as suas dores e os fazem crer em dias melhores. Ou que as pessoas podem ser melhores. Parabéns Colibri pela dedicação, esforço e por fazer do amor um exercício, pois esse é o exercício que verdadeiramente importa.

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Nacionalidade… Criança!

Posted by flaviosaudade em 13/06/2009

 

Uma questão feita por um dos pais durante a reunião chamou-me a atenção e mereceu uma reflexão mais demorada: Como lidamos com a desordem que as crianças promovem?  Respondi que aproveitamos as oportunidades para ensinar, os problemas principalmente. E reforcei dizendo que criança é criança em qualquer lugar. Ela quer descobrir o mundo, não pára um segundo… Nós é que teimamos em lhe impor nossos limites dizendo o que devem ou não fazer. Eles entenderam a nossa metodologia, mas fiquei por muitos dias com este tema na cabeça. Hoje, ouvindo o cricrilar dos grilos lá for a, resolvi escrever algumas linhas sobre. Vamos a elas.

 

*          *          * 

Será que é possível dizer que criança é criança em qualquer parte do mundo? Posso estar errado, mas me arrisco em afirmar que sim. Criança gosta do novo, gosta de explorar e não aceita limites. Está em processo de conhecer o seu corpo e o mundo e por esta razão não pára um só minuto; corre, pula, brinca, pergunta, chora quando não consegue aquilo que quer… Para ela as diferenças… Ah! Que diferenças?! Isso não existe! 

Como pai (Sim, tenho uma filha linda e inteligente, não me canso de dizer), posso verificar isso muito bem. Para a criança lhe basta ser criança. E olha que esta não é uma tarefa lá muito fácil. Nós adultos, tomados pela correria do dia-a-dia, teimamos em coibir a criança de ser criança. Estamos sempre dizendo que isso não pode, que não é assim que se faz… Lembro-me bem, na realidade não me lembro mesmo, quantas foram as vezes que disse não para a minha filha. Hoje vejo o quanto devo ter rabiscado o mundo que ela está colorindo aos poucos… E apesar de sentir uma tristeza aguda no meu peito, talvez pela saudade que não me larga, estou feliz por acordar para esta realidade. E desejo, do mais profundo do meu ser, ser tão criança quanto me for possível. 

Assim, desejo ver o mundo com pureza suficiente que seja possível enxergar o bem que cada um carrega em si (e sempre carrega) e seguir acreditando que ele pode ser maior do que tudo. Ser tão estranho à tudo que me permita ser curioso o suficiente para descobrir e tornar novo o que já foi descoberto. Para acreditar que a felicidade é, e sempre será maior, embora lágrimas rolem no meu rosto vez ou outra, apesar de nos oferecerem tantas razões para desacreditar das pessoas.

Acredito. Eu acredito mesmo que a esperança desconhece a razão e confesso que não possuo razão alguma quando sonho. Me esmero ainda em catar estrelas pelo céu e seguir confiando que o perdão é uma das coisas mais sensatas para quem deseja viver em paz, pois o ódio e o ressentimento pesam n’alma mais do que qualquer outra coisa. Que podemos receber as maiores lições de vida em um parquinho repleto de crianças que uma delas pode ser tão sábia quanto qualquer sábio. 

Por fim, quero somente oferecer para as minhas crianças, para a minha filha, somente o que elas necessitam para não deixar nunca esvaecer esta magia que elas carregam dentro de si, neste que é um dos períodos mais prósperos e criativos para o ser humano.

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Um país pobre, ou um pobre país?

Posted by flaviosaudade em 11/06/2009

 

 

 

Quando era criança um dos meus passa-tempos era o de colocar o par de óculos da minha avó. Um daqueles de lentes grossas e amareladas. Lembro bem que enxergava tudo distorcido e quase sempre tropeçava em alguma coisa que não conseguia ver, mesmo estando à um palmo do meu nariz. A brincadeira não demorava pois a vista cansava ou a cabeça doía. Mas, como qualquer criança, teimava em voltar àquela brincadeira vez ou outra. 

Também é assim a visão que a maior parte das pessoas tem do Haiti. Uma visão tão distorcida quanto a que eu tinha ao usar os óculos de fundo de garrafa da minha avó. Que aliás já foram aposentados por outros mais novos. Até porque, quem pára no tempo é relógio quebrado. 

As escassas notícias sobre o Haiti, efetivamente, não refletem mais a realidade deste país caribenho. Claro, ainda persiste a instabilidade política e boa parte da população vive em condições degradantes, violentadas em seus direitos mais fundamentais para uma existência digna. No entanto, no fator segurança os índices de criminalidade estão muito abaixo das capitais brasileiras, como o Rio de Janeiro, por exemplo. E enquanto áreas como Bel-Air e Cité-Soleid são consideradas zonas vermelhas, ou seja, de alto risco, cidades como Rio de Janeiro, que apresentam índices de violência imcomparavelmente mais altos, nem sequer cor tem. No caso do vermelho, salvo algumas áreas, nem poderia… 

Outra imagem turva que muitas pessoas tem é a de que não é mais necessária a presença da MINUSTAH no país. Sem sombra de dúvida, a estabilidade e a segurança que temos hoje se dá boa parte pela atividade das tropas. Não fosse isso, temo ser impossível a presença de organizações internacionais, mesmo as de carater social no país. E para ter uma pequena idéia de como a realidade aqui é bem outra basta caminharmos alguns minutos pelas ruas. Logo é possível se surpreender com a quantidade de carros importados, inúmeras caminhonetes que circulam pelas ruas. Um amante de carros pensaria estar num pequeno pedaço do paraíso. E olha que não costumo caminhar nas áreas da classe média/alta. Por lá já ouvi dizer que é possível ver até limousines… 

Como imagens falam mais que palavras, que cada um tire as suas conclusões. Ficarei devendo mais algumas fotos, mas creio que estas já dá para se ter uma boa idéia.

 

 

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O Blanke, o Voleur Cabrit e o Bon Bagay

Posted by flaviosaudade em 01/05/2009

 

O Blanke

Há um tempo atrás enquanto via algumas fotografias antigas na casa de um tio tomei um susto ao me ver recém-nascido; tinha o cabelo negro, liso e um par de bolas de gude azuis no lugar de olhos. Com cerca de oito ou nove anos de idade o cabelo encrespou e os olhos esverdearam, passei a ser chamado de “Amarelinho da Shell”. Com dezoito anos, ao alistar-me no exército, fui classificado como pardo. Após iniciar na cartilha da capoeiragem aos quatorze e de me enveredar na história com um olhar mais experimentado e curioso senti mais forte a minha negritude e passei a ter orgulho dela.

Ao chegar ao Haiti a história mudou novamente. Aqui sou considerado branco, ou blanke. A princípio pensei que fosse pela população do Haiti ser de maioria negra e eu estar mais para o pardo. Porém, esta semana uma senhora me esclareceu melhor esta história. Após ser chamado de blanke perguntei o motivo, pois tínhamos quase a mesma cor. Segundo ela, ser um blanke não tem haver com a cor, mas com o idioma. Disse que eu seria um blanke por falar outro idioma e ainda que eu fosse negro e não dominasse o idioma, ainda seria considerado assim. Argumentei que não era branco, era brasileiro, que o brasileiro não era branco nem negro, era “a lot bagay”, uma outra coisa. Ela permaneceu na defensiva. Investi novamente. Perguntei como eu poderia ser um blanke se estava falando com ela em criole. Após refletir saiu pela tangente dizendo que ainda assim eu seria um blanke.

Esta é uma cena muito comum, vez ou outra os haitianos nos tratarem assim, algumas vezes de maneira irônica e outras com uma grande carga de ressentimento. Ambos muito compreensíveis a julgar pela forma que foi forjada a história deste país.

 

O Voleur Cabrit

Este ressentimento parece ter agravado com a presença internacional no Haiti. Pelo o que posso perceber existem haitianos contra e a favor da missão para estabilização. Os que são contra defendem a soberania da nação; os que são a favor dizem que não fosse a presença das tropas voltariam os conflitos. E uma história curiosa marca essa relação. Segundo um amigo haitiano, após um ano do início da missão um grupo de soldados jordanianos capturaram dois cabritos que estavam soltos na estrada. O povo prontamente respondeu os chamando de “voleur cabrit” ou ladrão de cabrito. O que era apenas uma forma de contestar a atitude dos soldados a acabou por se tornar um apelido para os membros da MINUSTAH, soldados, principalmente. Ou qualquer blanke que eles juguem fazer parte.

Eu também já tive o meu dia de voleur cabrit. A ocasião aconteceu em nossa primeira apresentação, no Tambou Lapé. Após cantarem conosco o Paranaê e outros cânticos um coro só tomou conta da multidão: voleur cabrit! Béhhhhhhhhh! Voleur cabrit! Béhhhhhhhhhhhh! Só fui entender o que eles diziam após ver as imagens e um haitiano nos explicar o significado e a história. Mas, a julgar pela receptividade anterior, ser chamado de ladrão de cabrito até que valeu a pena.

 

O Bon Bagay

Após a experiência de ser titulado pela multidão de “ladrão de cabrito”. E o que é pior, dançar enquanto o povo cantava, um refresco. Os brasileiros aqui, os soldados, principalmente, são conhecidos como “Bon Bagay, mais ou menos como o nosso “gente boa”. Segundo soube o apelido se deu por conta da atuação diferenciada da tropa. E, claro, contou com a afinidade dos haitianos com o Brasil, que em alguns casos beira, ou chega mesmo ao fanatismo. Muitos deles se dizem “fanatics” quando o assunto é o Brasil.

Pude presenciar um bom exemplo disso hoje pela manhã. Estávamos em um evento em comemoração ao dia internacional da árvore e do trabalhador na Praça da Paz. Muitas pessoas estavam presentes para a cerimônia, o embaixador, a embaixatriz, representantes da MINUSTAH, do Ministério do Meio Ambiente do Haiti e, claro, nossas crianças. Uma multidão aglomerou-se na rua, uns 200 metros de onde estávamos; uma correria. A população agredia um sujeito que, pelo que parece, tinha tentado furtar um cordão. Por sorte dele a tropa brasileira estava presente para efetuar a prisão e encaminhá-lo para as autoridades locais. A ação exigiu bastante paciência e sangue dos nossos soldados pois a população estava enfurecida. No entanto, tudo foi resolvido sem precisar recorrer à força. Por este e outras é que a nossa tropa é chamada os “Bon Bagay”.

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