Gingando pela Paz no Haiti

Relatos de um capoeirista em terras haitianas

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Intercâmbio com a República Dominicana

Posted by flaviosaudade em 18/10/2009

 

 

Nos dias 9 a 12 estivemos na República Dominicana para um intercâmbio com o Grupo Alemar, do Monitor Kazan, que desenvolve um trabalho naquele país. Com aulas no Centro Cultural do Brasil, em academias como Gold`s Gym, realizando rodas nas praças e em locais públicos Kazan e seu alunos realizam um belo trabalho de divulgação da cultura brasileira através da capoeira.

 

  

O Intercâmbio foi repleto de emoções e novas experiências, a começar pelas 9 horas de ônibus por conta de alguns contratempos. O primeiro deles na fronteira, onde o cenário lembra muito alguns filmes. Gente para tudo que é lado, pessoas oferecendo dinheiro para troca, os mais variados tipos. E ao descermos do ônibus para os trâmites burocráticos é que realmente nos sentimos perdidos, pois não há qualquer tipo de controle ou organização; nenhuma alma viva para dar informações. Devemos seguir o fluxo das pessoas até chegar nos cuichês da imigração.  

Passado o sufoco da imigração demos continuidade a viagem. E é de impressionar como a paisagem muda quando atravessamos a fronteira; a diferença é realmente gritante. Para nós, que estamos acostumados com Haiti, tudo parece uma novidade, desde uma rua limpa (não que por aqui não se veja isso), shoppings, luz nas ruas, escadas rolantes, Mc Donalds… Parecia mesmo que estávamos descobrindo um mundo novo. 

Fomos recebidos pelo Kazan, que há 8 meses não passava de um amigo virtual; deixamos as malas na sua casa e seguimos para a nossa primeira roda, um momento muito especial em que tivemos o primeiro contato com os seus alunos. Era hora de deixar o cansaço de lado, deixar o Axé rolar e vadiar com os nossos mais novos camaradas. E a nossa caminhada estava apenas começando… A agenda estava cheia e ainda teríamos muitas rodas naquele final de semana. 

No sábado pela manhã abrimos o dia com uma exbição de uma filme no Centro Cultural do Brasil, Pastinha. Uma Vida pela Capoeira. Foi a oportunidade para o povo dominicano entrar em contato com a sabedoria e sapiência do velho mestre, esterno guardião da Capoeira Angola. Após o filme tivemos um rápido bate papo onde pudemos encontrar muitas semelhanças entre as culturas dominicana, brasileira e haitiana. E o bate papo continuou, acompanhado de uma boa feijoada, com direito a caipirinha e samba. Todos esses eles em pequena dose pois a jornada ainda estava longe de acabar.

 

 

De lá seguimos para a Gold`s Gym para uma aula com os alunos do Kazan. Uma aula animada que culminou com a entrega da graduação de uma das alunas, feito reservado para o nosso amigo Ligeirinho, que também recebei a responsabilidade de dar um apelido para a aluna: Cabocla. Momento de muita descontração, uma roda bastante animada que finalisou em ritmo de retirada, pois iríamos retornar para o centro cultural para uma apresentação. 

 

Ligeirinho orientando a Cabocla

 

Kazan puxando a ginga

Kazan puxando a ginga

 

Filha na meia-lua de frente

Filha na meia-lua de frente

 

 

 

Roda para batismo e graduação da Cabocla

Roda para batismo e graduação da Cabocla

 

Cabocla e Ligeirinho. Saída para a roda

Cabocla e Ligeirinho. Saída para a roda

 

Cabocla e Saudade

Cabocla e Saudade

 

Cabloca recebendo a graduação do Ligeirinho

Cabloca recebendo a graduação do Ligeirinho

 

A apresentação no Centro Cultural contou com um público animado de brasileiros e dominicanos, que já estavam no “esquenta” em ritmo de samba e ao gosto da feijoada e caipirinha, especialmente preparada pelos amigos da cantina do CCRD. Esta roda também guardou um momento muito especial, pois tive a felicidade de oferecer o apelido a uma das aulas do Kazan: Rosa-branca. Apelido que me rendeu uma boa preocupação, desde quando o nosso amigo passou-me esta baita responsabilidade. No final, tudo deu certo, o apelido chegou e com ele uma música ainda.  

 

Rosa-branca

Girino e Rosa-branca

 

Rosa branca que nasceu lá na Bahia / Rosa branca que me traz tanta alegria… 

Como foi de improviso, boa parte se perdeu da memória. Mas, valeu. A rosa-branca é um símbolo de pureza, de amizade, e era o símbolo de um grupo que lutava contra Hitler e o Nazismo. 

No domingo fomos para a praia. Sol forte, terra e mar. E, claro, não faltou uma roda de capoeira. Armamos o berimbau e não demorou muito para a roda estar formada e o Axé correndo solto. E ainda fechamos com uma roda pela noite na casa de uma das alunas do Kazan. Apesar de cansados, a roda foi bastante agradável e a energia tranquila. 

 

Filha e Aíla ao pé do berimbau

Filha e Aíla ao pé do berimbau

 

 

 

Por fim, dias bastante intensos que nos proporcionaram muitos momentos bons e fazer novos amigos. Agradecimento especial ao Kazan e o Abutre que gentilmente nos receberam em sua casa, à Filha, Rosa-branca, Mulata, Chibata, Cigana, Areia, e a todos outros amigos do Alemar Capoeira, à Cris e a Ana Paula do Centro Cultural do Brasil na República Dominicana, aos amigos da cantina que sacearam um pouco a nossa necessidade da culinária brasileira e a todos os brasileiros que prestigiaram as rodas.

Em breve mais fotos na galeria.

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