Gingando pela Paz no Haiti

Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Nos braços da Paz

Posted by flaviosaudade em 24/02/2012

 

Mais uma manhã. O sol aos poucos se levanta anunciado pelo cantar dos passarinhos. Um vento faz balançar as folhas das arvores lá fora. Desde as cinco a conversa das pessoas que iniciam mais um dia de trabalho. As seis o barulho da vassoura começa no quintal enquanto algumas mulheres já estão com os seus cestos cheio de frutas nas calcadas. Levanto para preparar o café, abro janelas e portas. Ainda estou no Haiti.

 

Após uma noite tranquila, hoje tinha tudo para ser um dia perfeito; sexta-feira, aquele sentimento bom de final de semana… Mas, infelizmente não seria. Aquela manha não iriamos aa Kay-nou para encontrar nossos assistentes, para fazer a avaliação das aulas. Eu não iria chamar atenção para a nossa planta sofrendo sob o sol ou para as cadeiras que estavam espalhadas no espaço das aulas. Naquela manha iriamos dar o ultimo adeus ao nosso amigo Fenelon, que havia nos deixado apos ser brutalmente assassinado a tiros na manha do dia 9 de fevereiro.

 

Fenelon foi o primeiro colaborador do Viva Rio em terras haitianas. Usava com frequência um relógio frouxo no pulso, camisa de botão e um anel no dedo anelar direito que me fazia recordar os veteranos das comunidades cariocas. Usava um bigode sempre bem aparado, que ajudava a compor um sorriso que não costumava economizar. Após descobrir e gostar de samba, não dispensava a musica vodu e a imagem de Ogum, conhecido assim tanto no Brasil quanto no Haiti, no retrovisor. Personificava a figura do bom malandro, amigo de todos, dono de uma personalidade perspicaz e envolvente, discreto e sempre atento. Pelas suas mãos, ao volante, conduziu o Viva Rio pela terra dos Loas. Conhecia como ninguém as ruas e os becos mais remotos, o que lhe concedeu o título de JPS. Sempre bem informado era para nos, assim que chegamos, a principal fonte de informações sobre possíveis riscos. Pagwen problem… não tem problema… respondia quando perguntávamos sobre a possibilidade de passar pelo centro da cidade em períodos de manifestação. Pa kapab soti, Flavio! Alertava para não sairmos de casa durante o período das eleições. Há época dizia que se fôssemos sair deveríamos escrever os nossos nomes na sola do pé, para o caso da necessidade de uma possível identificação do corpo… E caia na gargalhada enquanto nos, que caímos no Blague, na brincadeira, ficávamos imaginando a dimensão dos riscos. Mwen kenbe la kay ak madame mwen. Ele tinha razão, era melhor opção ficar no aconchego do lar com a esposa…

 

*          *          *

Após um breve velório em Kay-nou, centenas de pessoas, vestidas com o eterno sorriso de Fenelon ganhou as ruas. Á frente do carro fúnebre a fanfarra, projeto de música do Viva Rio, abria caminho. Apos assistir um culto em uma igreja cheia, o cortejo ganhou novamente as ruas até o cemitério. No portal uma frase: lembre-se que você é poeira! Após caminhar um pouco chegamos ao jazigo onde seria depositado o caixão. As pedras, depositadas uma a uma e o cimento cerrou o corpo, mas o espirito do nosso amigo, ele avoa bem alto.

 

O disparo que acertou Fenelon não nos tirou apenas um amigo, mas fez sangrar as nossas esperanças. No entanto, apesar da tristeza é maior o sentimento de seguir em frente, com ainda mais coragem em seu nome e de todos aqueles que tombaram ate hoje pela violência. Fenelon passa a fazer parte da grande constelação de heróis que lutaram por um mundo melhor, livre de injustiças e de crueldades. E que apesar do seu anonimato e da sua humilde ferramenta de luta foi tão grande quanto qualquer outro. E estará sempre conosco, sobretudo nas en-cruz-ilhadas deste país. Momento em que precisaremos apenas chamar por “Saint Fenelon” para que ele nos guie pelo caminho certo.

 

Que seja santo todo ser humano que serve ao propósito da Paz.

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Colocando o bloco na rua

Posted by flaviosaudade em 24/11/2010

 

 

Após um longo período de espera, colocamos novamente o bloco na rua. Retomamos as apresentações nas escolas, atividade que teve de ser suspensa após o terremoto. A maior parte das intituições de ensino da Capital tiveram seus prédios destruídos ou bastante comprometidos, levando à suspensão das aulas. Outro fator, foi o regime de emergência a que passamos a atuar, o que nos levou a redefinir a estrutura e organização do projeto de forma a permitir absorver o repentino crescimento do número de alunos; por dia, atendíamos cerca de 500 pessoas das mais variadas faixas etárias. A maior parte delas moradores do campo que se formou em Kay-nou. 

O obejtivo das apresentações, além de divulgar o projeto e fortalecer as ações do Viva Rio é de divulgar a capoeira entre a população da grande Bel-air, principalmente. Com a propagação da capoeira fortalecemos a imagem dos nossos alunos quanto líderes e mobilizadores, ao tempo em que ampliamos nosso raio de ação e inspiramos mais jovens a prática da capoeira. Sem dúvida, o trabalho sempre aumenta a cada apresentação, a procura de pessoas interessadas em participar do projeto dá um salto a cada apresentação realizada. 

Um exemplo foi a primeira apresentação que marcou a retomada deste ciclo. Ela foi realizada no Lycé Perpetuele, em Bel-air, um escola improvisada que conta hoje com cerca de 3000 alunos. A apresentação ocorreu no horário destinado a rapazes, o que certamente proporcionou uma experiência especial. 

 

A primeira delas ficou por conta da apresentação de maculelê. Nossos alunos relutavam em vestir os saiotes, parte do paramento utilizado normalmente, confeccionado de palha-da-costa. A cultura haitiana é bastante machista e eles temiam serem chamados de “massissi”, homosexual em creole. Além disso, a maior parte dos nossos assistentes são provenientes das bases, dos núcleos, onde ser valente é um dos principais quesitos para ganhar espaço e respeitabilidade. 

 

A cobrança foi tanta que um dos alunos falou para o Arrebite, um de nossos assistentes que talvez fosse o mais resistente, que ele teria de apresentar uma coisa muito boa para justificar “botar saia”, pois do contrário ele iria apanhar. 

 

Reunimos todos. Disse-lhes que aceitaria a decisão deles, mas que aquela era uma oportunidade importante para eles mostrarem o que aprenderam e que eu estaríamos ali para ajudá-los, cantando e batendo o atabaque para que eles mostrassem isso. Mas, se fosse realmente difícil para eles, poderiam apresentar apenas com as calças. Nos posicionamos e fizemos o toque de chamada. Grande foi a minha surpresa quando os vi entrar em fila na roda vestindo os saiotes. 

 

Não tenho dúvidas de que fora difícil a decisão, de que tenha exigido de cada um deles uma profunda reflexão, enfrentamento e ruptura de preconceitos. Naquele momento eles avançaram mais um degrau em sua formação, na personalidade de cada um. A vitória foi de todos para a alegria de todos. Ninguém foi chamado de massissi e o Arrebite não apanhou… 

O que impressionou foi a organização dos jovens, que mesmo sem que pedissêmos rapidamente formaram uma roda, ocupando muros, lajes. Além disso, a disciplina e o respeito foram exemplares; apesar da euforia, dos gritos todos, todos eles respeitavam quando pedíamos silêncio ou quando pedíamos que respeitassem o espaço destinado à roda. 

 

Alguns mais ousados entraram na roda e ensaiaram uma ginga; outro duelou com o Canguru no hip-hop (e mandou bem, devo dizer…). Porém, o aprendizado maior ficou por conta de outro que convidou o Ligeirinho para jogar. Antes de aceitar o convite, o Ligeiro o colocou para jogar com a Saúva, que também não dá espaço. E para fechar, o Ligeiro comprou o jogo. Porém, na falta de conhecimento, o jovem  disparou alguns socos no ar. E foi só levantar a perna e tomar uma bela de uma rasteira do Ligeiro. Bem, Bimba dizia que “feio não é cair. Feio é cair de bunda”. E foi o que aconeteceu. Para a nossa surpresa a galera foi ao delírio! Gritos! Palmas! Gargalhadas! Aproveitamos o momento para ensinar. Dissemos que todo mundo cai e tem de cair para aprender a levantar. 

 

A roda seguiu um pouco mais, até que o sol desse aviso: Iê vamos simbora, que tá na hora camará!

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Identidade: Capoeirista!

Posted by flaviosaudade em 15/11/2010

 

Caiana, Pitomba , Moranguinho e Dandara

 

Estamos nos aproximando de mais um evento; o segundo batizado e graduação de nossos alunos. Sem dúvida, um momento muito especial para todos nós. Muitos alunos aguardam ansiosos pelo batismo e outros para receber as suas novas graduações. No primeiro ano participaram do evento 150 alunos. Este ano, contamos com cerca de 380, entre crianças de 3 anos até adultos de 45. Um exemplo de que a capoeira está se popularizando em terras haitianas e atraindo cada vez mais pessoas, das mais diferentes faixas etárias. 

Dentre as inúmeras atividades que teremos de produzir, talvez dar o nome aos alunos seja a mais difícil. É realmente uma grande responsabilidade oferecer um nome pelo qual o aluno será chamado por toda a sua vida, ou até para depois dela, como é dito no filme do Besouro. É um processo que exige atenção, cuidado. Um apelido pode tanto despertar o aluno para o aprendizado como comprometer o seu rendimento. Neste sentido, cabe ao educador ter o máximo de cuidado para oferecer não oferecer um nome que o deprecie, pelo contrário represente uma característica forte ou um traço físico marcante. Claro, há aqueles que recebem apelidos cômicos, como é o caso de um de nossos alunos, o Pinto-solto, que recebeu este apelido por viver todo o tempo digamos… se coçando. Ou ainda o Bandalha, Cortiço, Cascalho, Desastre, que dispensam comentários. A turma da desordem, como chama um dos nossos educadores, o Ligeirinho, nomeou um deles, o Xerife, aparentemente o líder, para tomar conta dos outros. E o resultado foi bastante satisfatório. Se o que eles procuram, muitas das vezes, é esta própria liderança, sobressair-se no grupo, imagina quando lhe pedem para fazer isso, oficialmente. Naturalmente a postura muda, uma postura maior de responsabilidade é facilmente perscepitível. 

Diferententemente ao primeiro batizado, desta vez aconteceu algo diferente que me deixou realmente bastante alegre. Os próprios alunos começaram a pedir seus nomes a medida que viam os seus amigos receberem os seus. Entregávamos um papelzinho com o nome para que eles decorassem. E todos faziam questão de ler. Após receber o papel, com todos sentados em roda, cada aluno ficava de pé e dizia o seu apelido. Todos repetiam e aplaudiam. 

Tantos nomes, tão diversificados quanto o nosso grupo. Um processo que me tirou o sono em algumas noites… Açucena, Lamparina, Urucum, Marimba, Irajá, Capitú, Alfazema, Tulipa, Bambolê, Moura, João-de-barro, Xadrez, Nogueira, Cana-brava, Pirilampo, Finta, Brinco, Guaraná, Dália, Cascatinha, Tucaninho, Itaú, Guaxinir, Sururu, Jururu, Arisco, Ipiiba, Lucuri… E por aí vai. 

Os apelidos realmente representam uma transformação na vida de cada um deles, dos jovens principalmente, que dizem com orgulho serem capoeiristas. E quanto mais problemas tenha tido o jovem antes de ser apresentado à capoeira é que a transformação é maior, percebida na postura e na forma de lidar com os problemas, principalmente.

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A Lagarta e a Borboleta

Posted by flaviosaudade em 12/11/2010

 

Estes dois anos de Haiti me proporcionaram algumas experiências interessantes e renderam boas histórias. Aqui é quase impossível um dia passar sem uma novidade, um fato inusitado. Nas atividades com nossos alunos, principalmente. Sempre acontece alguma coisa que rompe com a rotina, seja um problema novo ou um fato cômico, que nos oferece uma oportunidade de aprendizado, exigindo atenção especial, ou que nos descontrai e nos faz rir. 

Um desses fatos acontecerem alguns dias atrás. Estávamos no meio de uma e nossas aulas, quando resolvi dar uma volta fora do espaço onde nossas atividades acontecem. Durante essas caminhadas sempre recolho algum lixo, mando alguns alunos para casa após as suas aulas, converso com um ou com outro… Mas neste dia foi diferente. 

Enquanto caminhava com as crianças, vimos uma lagarta no meio do caminho, era grande e verde e se esforçava em arrastar-se. Claro, ela logo chamou a atenção das crianças que se divertiam vendo o esforço da visitante. Fui até um canto e busquei um pedaço de pau. Assim que cheguei perto da lagarta Cambaxirra, um de nossos alunos, pediu para que eu a matasse. Mata! Mata! Dizia ele sorrindo. Enquanto pegava a lagarta e colocava em um canto seguro expliva a ele que não iria fazer isso pois ela não fazia mal algum para nós. E que ela, como nós, tinha todo direito de viver. E ele teimava em dizer que eu tinha que sacrificá-la. Assim que dei as costas por alguns minutos ele a trouxe de volta e começou a brincar com ela. Ou seria melhor dizer… judiar dela? Mais uma vez peguei a lagarta e coloquei num canto. E agora um pouco mais duro lhe disse que ele deveria protegê-la, que ela estava rastejando daquela forma, mas logo teria asas e voaria muito alto. O dia terminou e voltamos para casa, como sempre bem exaustos da longa jornada. 

No dia seguinte, enquanto nos preparávamos para dar início ao treino com os nossos assistentes uma grande borboleta invadiu o espaço; voava no centro do espaço como se visse trazer um recado. Chamei o Cambaxirra, que veio correndo, mostrei-lhe a borboleta e disse: Está vendo só, ontem você queria matá-la. Hoje ela veio mostrar a você no que ela se transformou. Ela veio aqui pra você. E da mesma forma que ela se transformou e conseguiu voar e ser livre, você também é capaz. 

Ele me olhou, abriu um largo sorriso e saiu pulando e gargalhando de alegria enquanto foi chamar outros alunos para ver a borboleta. Ou seria mariposa? Em fim, não importa… Importa que naquele dia conseguimos aprender juntos com uma coisa tão simples. Provavelmente aquela borboleta não era a lagarta, pois nunca ouvi dizer que uma lagarta precisa apenas de um dia, ou menos disso, para realizar a sua transformação. Mas, de uma coisa estou certo, o Cambaxirra não matou a lagarta assim que dei as costas, o que era o meu medo, pois do contrário ele teria dito e toda história perderia o sentido.

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Nem anjo, nem demônio

Posted by flaviosaudade em 07/11/2010

 

Um dia, em viagem com amigos a Santo Domingo, um homem se acercou do automóvel oferecendo-se para limpar o vidro. Como de costume, dissemos não precisar. E como de costume, ele já havia iniciado o serviço. Levantava a camisa mostrando uma deformação no peito e dizia ter fome. Podem ajudar com qualquer coisa, dizia ele com uma expressão de sofrimento, quase dor. Em meio a nossa contestação, dissemos vivermos no Haiti, quando o homem surpreso desatou a falar, dizendo que ficava muito preocupado com todo sofrimento do povo haitiano. Não sei como Deus permite isso, disse ele quando começou a alterar-se. Olha pra mim, e mostrou seus braços tomado por cicatrizes. Mas lá, é muito sofrimento! Até que se descontrolou. É uma desgraça atrás da outra! Uma desgraça atrás da outra! E outra! E outra! E fazia gestos como se golpeasse alguma coisa. Saímos com o carro um tanto apreensivos enquanto ele ainda demonstrava de forma enfática a sua imcompreensão.

Temos ouvido essas perguntas constantemente. Qual a razão de tanto sofrimento? Por que o Haiti, um país que já sofre tanto? Terremoto, doenças, ciclones… Realmente é impresssionante a acumulação de tantos problemas em um só lugar (metade de uma ilha, diga-se de passagem). Talvez seja humano julgar tudo isso um ato de injustiça divina. No entanto, acredito que tudo isso deve ter uma razão de ser. E hoje, após permancer em casa por dois dias por força do Tomas, ciclone que nos fez uma breve visita, acordei às 5:30 da manhã com essas perguntas fervilhando em minha cabeça. Desci para o café, ouvi Cesaria Evora, recordei amigos, senti saudade de uma Angola, apesar da Cesaria ser de Cabo Verde, comi pão com ovos, banana com mel… Mas as idéias permaneceram como as núvens cinzas que tomaram o céu da Capital estes últimos dias.

Por que?

Talvez as respostas tenham me encontrado. Pelo menos aquelas que respondem às minhas perguntas em particular. E hoje vejo que elas estiveram sempre aí, tão presentes nas desgraças, que faz sangrar as nossas almas, quanto nas alegrias, que nos cura muitas vezes sem que nos demos conta. Estiveram tão presentes no olhar de uma criança faminta quanto nas meninas que caminham de mãos dadas para a escola com seus uniformes coloridos e laços na cabeça. Estiveram tão presentes no semblante castigado de uma mulher que da vida aprendeu somente do trabalho quanto na imagem de um pai que vela o sono do seu filho em uma tenda. Estiveram tão presentes no olhar perdido de um velho que não pensava viver suficiente para ver tanta tristeza quanto na vitalidade de um moleque que parece uma borboleta que acabou de sair do casúlo. Estiveram tão presentes nos corpos em decomposição jogados pelas ruas quanto naqueles que dançam, que suam e que vibam ao som do tambor.

As respostas sempre estiveram lá, todo o tempo.

O Haiti é um exemplo para toda humanidade e um anúncio de que precisamos recriar a forma de nos relacionar com o mundo, com as pessoas, com nós mesmos. Que não podemos continuar consumindo o nosso tempo criando e recriando vícios antigos que nos torna pesados à nossa própria existência. O Haiti, este país que tantos dão graças por estarem longe e outros tantos se esforçam para estar perto, nos oferece a oportunidade para descobrir o que de melhor há em nós. O Haiti, onde exércitos das mais diversas nações uniram-se para salvar vidas e não para consumi-las, onde seres humanos das mais diferentes nacionalidades, com os mais variados costumes comungam no desejo de tornar menos sofrida a vida de pessoas que jamais viram. O Haiti, que nos ensina que existe uma nacionalidade apenas: a humana.

E quando olho para mim, quando me permito olhar realmente para mim, é que não tenho qualquer dúvida da importância deste país para todos nós. Quando recordo que antes do tremor perdi preciosos momentos da minha vida em disputar o quarto mais cômodo. Quando foi justamente neste quarto, preso e em desespero, que passei os segundos mais longos da minha vida e por pouco não encerrei aí esta minha existência. Quando lembro que me permitia gastar o meu punhado de areia fazendo senso de valores, é que não tenho dúvida do quanto podemos aprender com o Haiti. Com ele sigo aprendendo mais da vida, das pessoas e do amor, que é exercício. Quem não somos anjos nem demônios e que devemos nos esforçar para viver de maneira consciente, sem culpa pelo fomos, sem vergonha de aceitar o que somos, sem medo de desejar o que seremos. O Haiti mora em cada um de nós, quer desejamos ou não. E dou graças a esta terra e sua gente que me permite tornar-me mais humano a cada dia.

Por fim, ou por início, encontramos novamente o homem do sinal, que saltou de alegria ao nos reconhecer. Meus amigos do Haiti! Gritava ele enquanto lavava o vidro do carro com uma alegria contagiante. A vida dá muitas voltas, o mundo não pára de girar. É impossível dizer que nunca precisaremos que limpem o nosso vidro ou que não seremos nós a limpar os vidros dos outros.

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Encontro de Mães, Pais e Responsáveis.

Posted by flaviosaudade em 17/05/2010

O primeiro após o dia 12 de janeiro.

 

 

No ultimo sábado, 15, o Gingando pela Paz realizou mais um encontro de responsáveis; o primeiro após o terremoto do dia 12 de janeiro. Estiveram presentes cerca de 220 pessoas, entre pais, mães e responsáveis de alunos novos e antigos. Um crescimento surpreendente, pois as reuniões anteriores contavam em media com 80 pessoas. O aumento deu-se pela chegada de novos alunos, logo após o sismo.

 

A atividade teve início com uma explanação sobre a capoeira, seguida de uma apresentação sobre o projeto: seus objetivos, metodologia, atividades realizadas e projetos futuros. Foi o momento para as pessoas exporem as suas dúvidas e fazerem comentários. 

Um em particular chamou nossa atenção. Uma das mães relatou que, anteriormente, não deixava os seu filho frequentar a capoeira pois acreditava ser coisa de vagabundo. A observação é muito interessante por duas razões: a primeira pela maior parte dos alunos estarem uniformizados, frequentarem aulas com horários definidos e sob orientação de professores; isso deveria eliminar qualquer tipo de associação com uma prática contraventora. A segunda, é que este mesmo pensamento acompanhou a capoeira por longos anos no Brasil, mesmo após a sua descriminalização com a retirada do código penal de 1850.

Para aproveitar essa oportunidade, convidamos a todos para trabalharem conosco no sentido de divulgarem a capoeira entre seus amigos e familiares, sempre que tiverem a oportunidade. Com isso, todos passarão a conhecer os benefícios que a capoeira oferece. 

Um dos momentos marcantes foi a apresentação dos jovens que estão em processo de formação para assistentes. Estes jovens participam de atividades que visam prepará-los, tanto para a formação em capoeira, quanto para o desenvolvimento de suas aptidões. Dentre as atividades estão a própria formação do conteúdo, dos temas que serão abordados, aulas de cântico e toque de instrumentos, aulas de Língua Portuguesa, em parceria com o Centro Cultural Celso Ortega Terra (CCBH), e atividades extras, tais como treinamentos especiais na praia e visitas. 

 

Neste mesmo sábado, alguns deles participaram do evento de comemoração à Abolição da Escravatura, realizado no CCBH. Na ocasião estiveram presentes alunos do centro e convidados. A participação dos alunos nas aulas do Centro visam aproximar as duas realidades e oportunizar a troca de experiências, posto que a maior parte dos alunos de Centro Cultural atuam em organizações internacionais e pelas regras de segurança não podem visitar Bel Air. 

Os encontros de responsáveis fazem parte do cronograma de atividades do projeto, e estão previstos para o segundo sábado de cada mês. Para o futuro, estão previstas atividades também para os responsáveis, de maneira que todos sintam-se parte e contribuam para o crescimento do projeto, pois o sucesso, sem dúvida, depende de cada um e de todos nós.

D. Roff, Rosa, Claudel e Mordomo

Equipe em ação!

Equipe e alunos trabalhando juntos!

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Formação de Assistentes

Posted by flaviosaudade em 05/02/2010

Ainda em estado de alerta, caminhamos no sentido de dar continuidade às nossas atividades. Claro, com tudo que aconteceu fomos obrigados a modificar um pouco toda estrutura, mas sempre com o mesmo objetivo em oferecer as melhores condições para que nossos alunos possam seguir em desenvolvimento. 

Uma das atividades, que ansiávamos desde algum tempo, é a formação dos nossos asssitentes; jovens que nos auxiliam durante as aulas, nos quais depositamos nossas esperanças para futuros educadores. 

Dentre o conteúdo da formação, que ainda não tem tempo definido, estão as aulas de lingua portuguesa, algo muito solicitados por todos eles. As aulas utilizarão elementos da própria capoeira para familizarizá-los com o nosso idioma. O que já vem acontecendo no dia-a-dia, durante as aulas de capoeira, nas rodas, principalmente. Não apenas os assistentes, mas a maior parte dos alunos já cantam uma música ou outra em português. A última, “Samba lê, lê”, juntou-se ao “O Sertão vai virar mar. O mar vai virar sertão” como a mais favorita das crianças. Ambas arracam sorrisos e põe fogo na roda. Depois de tanto cobrar mais animação, nessa hora é preciso controlá-la. [risos] 

A primeira aula aconteceu ontem, entre carros que chegavam com mantimentos, crianças e mulheres com cestos de roupa para lavar. A Aília iniciou-os no fantástico universo da língua de Lobato. Palavras como berimbau, atabaque, pandeiro ganharam forma e contornos nos cadernos. Realmente um momento muito especial; o primeiro de muitos passos. 

Dentre eles, iremos realizar reuniões para construir juntos o conteúdo da formação, de forma a atender a real necessidades de todos. E oficinas de diálogo, onde teremos a oportunidade de conhecer melhor a história um do outro. O método que iremos utilizar será o da Entrevista Apreciativa, onde cada um realiza uma entrevista com um par e, posteriormente, comenta em grupo os pontos que chamaram mais a sua atenção nada história. Desta forma, objetivamos fortalecer os laços de amizade, de fraternidade e de comunhão que naturalmente já são trançados* através da capoeira. 

Fará parte da formação também, temas como cidadania, participatividade, direitos humanos.

( * ) Normalmente, utilizaria a palavra tecer. Porém, neste caso específico, desejei fazer menção à trança, prática bastante presente na cultura de povos de origem africana. A trança, além de passar um sentimento de unidade, para mim, caracteriza uma marca forte de identidade, e a unidade na diferença; ainda mais quando coloridas.

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Educar: um exercício de amor.

Posted by flaviosaudade em 04/02/2010

 

Educar é um exercício de amor. Um exercício que exige esforço continuo, ininterrupto. E esse é um exercício que fazemos todo SANTO dia. Desde o primeiro momento em que chegamos em Kay-nou, quando as crianças correm para falar conosco e não desgrudam mais, e nos seguem por todos os lugares e em todo tempo. 

Porém, hoje esse exercício parece ter exigido mais de nós. As crianças pareciam desanimadas, desinterssadas. E por um momento tive dúvidas se o problema era com elas ou se era eu quem não estava me esforçando o bastante. Senti-me realmente frustrado. Pequei o berimbau, sentei um pouco distante enquanto as observava. Algumas sorriam, outras falavam, outras ainda pareciam estar no mundo da lua, outras se estapeavam… 

Após algum tempo, percebi que estava cobrando-me demais. Era possível sim que eu não estivesse dando o meu máximo naquele dia, mas isso não deveria ser transformado em um problema. Pelo contrário, eu precisava respeitar o meu momento. Então, concluí que este amor, este exercício, em algumas ocasiões, tem de ser em benefício próprio, para não exijirmos tanto de nós ao ponto de acharmos que não estamos nos dedicando o bastante. Ser um educador é educar-se sempre. E educar-se sempre, é também aprender a lidar com os nossos limites, aceitá-los sem torná-los fantasmas e aprender a reconhecer o momento certo de estimular o aprendizado ou deixá-lo acontecer naturalmente. 

Esse “deixar acontecer naturalmente”, num primeiro momento,  pode soar como um descaso ou ainda nos trazer um sentimento de falta de organização ou método. No entanto, ele exige tanta atenção quanto qualquer outro. Neste momento, em que as atividades parecem acontecer por elas mesmas, devemos seguir em estado de vigia. Dessa forma, atentos a tudo, temos a chance de identificar boas oportunidades para o aprendizado; aprendizado que poderá ser compartilhado por todos. 

Dois exemplos que tivemos poderão esclarecer melhor. 

Estávamos em aula com os alunos antigos; uma turma bastante cheia. A turma estava divida entre aqueles que realizavam os movimentos e outros que esperavam a vez. Alguns alunos conversavam muito e tiravam a atenção daqueles que realizavam os movimentos. Até que chamei a atenção de todos para dizer-lhes que o primeiro que falasse iria embora. E não deu outra, logo um abriu a boca. No entanto, ao invés de retirá-lo, pedi para que ele me ajudasse na aula, dando a voz de comando para os alunos realizarem os movimentos. No início ele ficou bem envergonhado, com todos rindo dele. Mas, logo tomou gosto e já o fazia com entusiasmo. E aqueles que antes riam logo se aquietaram e se mostraram desejosos em estar no seu lugar. 

O segundo aconteceu durante a nossa aula de cântico, que realizamos todas as manhãs. As aulas objetivam receber as crianças menores, que ainda não estão em idade para participar dos treinos. Apesar disso, a faixa etária é bastante mista. Enquanto ensinávamos uma música, uma delas deu tapa em outra. Interrompi o ritmo e a chamei para perto de mim. Ela relutou, enquanto alguns a empurravam para que se levantasse. Então eu disse que ela tinha força para bater, mas não tinha coragem para vir para o nosso lado. Após relutar um pouco mais, levantou-se e veio para o nosso lado. Seguimos com a música, e ele ainda um pouco envergonhado, olhando para o chão, nos seguia. Porém, logo se soltou e começou a cantar mais. Ao final da aula, falei para todos que, apesar dele ter brigado durante a aula, ele teve de ter muita coragem para levantar-se e estar ao nosso lado, na frente de todos. E, por esta coragem, iríamos oferecer um presente para ele. O presenteamos com um cordão com um pequeno berimbau. E, claro, todos que riam dele, e que o empurravam para receber a punição, puderam perceber que assumir um erro e enfrentar as suas consequências às vezes pode exigir tanta coragem quanto cometê-lo. 

Assim, vamos aprendendo e ensinando, descobrindo a cada dia novas maneiras de compartilhar o conhecimento com esses pequenos-grandes heróis, de encontrar e exercitar este amor que nos anima e que nos faz estar mais próximos de Deus.

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Que lições podemos tirar da tragédia que abalou o Haiti?

Posted by flaviosaudade em 02/02/2010

 

Passados alguns dias do terremoto, paira no ar bem mais que a poeira e as moscas; sentimentos se misturam e nos colocam à prova a todo instante: medo, coragem, esperança, desolação, saudade, ansiedade, alegria. Perguntas povoam o pensamento e muito provavelmente resistirão por um longo tempo, mais tempo do que todo o escombro levará para ser removido.

O terremoto não fez desmoronar apenas edifícios, vidas e sonhos; não só rompeu laços e desfez estruturas de vida que levaram anos para serem edificadas, mas evidenciou a necessidade de repensarmos a nossa própria maneira de viver, principalmente de agir uns com os outros. Nos ofereceu uma preciosa oportunidade para refletir sobre alguns aspectos de nossas vidas e sobre o próprio sentido da palavra humanidade.

Certeza que tenho, é que existe uma razão para tudo que aconteceu, para que cada um de nós estivesse aqui. Sigo acreditando que nada acontece por acaso. E se ainda não temos a permissão de entender o porque de todas as coisas, resta-nos refletir e tentar extrair o máximo de aprendizagem possível; um exercício que não deve ser feito com pressa, apesar da urgência; que não deve ser movido pela necessidade de encontrar verdades, pois elas podem ser tão frágeis quanto muitas estruras se mostraram ser.

É este exercício que farei agora. E se existem lições, e acredito que existam, cabe a cada um encontrar aquela que melhor atenda às suas necessidades e aspirações.

A primeira lição que pude extrair- a primeira que me veio à mente após conseguir me ordenar emocionalmente – é sobre a brevidade da existência. Vivemos como se ela fosse durar para sempre, como se nós e todos aqueles que amamos fossem estar conosco, fisicamente, sem que pudessem nos deixar um dia. Enquanto que a existência é como um tênue fio, que pode romper-se quando menos esperamos; como uma pipa outrora suspensa no ar, e que sem aviso “estanca” quando a linha se rompe de um sopetão. Ficando também o desejo de sair correndo para recuperá-la, para tê-la novamente conosco, ocupando o seu pequeno e precioso espaço em nosso céu particular.

A segunda, é a de que precisamos, urgentemente, retomar a nossa relação com a natureza. Apesar de ser um filme, realmente me inspirou Avatar. Ainda que tantos outros tenham nos chamado a atenção para a mesma necessidade, de nos convidarem a refletir sobre a nossa ação na natureza, oferecendo-nos a oportunidade de mudar o nosso olhar e a nossa relação com a mãe terra, esta produção em especial falou-me muito ao coração. Sempre achei que perdemos tempo demais reproduzindo as nossas agrúras e multiplicando os nossos medos; tempo demais nos alimentando de guerra, violência, terror, quando já os temos em quantidade suficiente pelo mundo. No caso de Avatar, posso dizer que senti uma forte carga de espiritualidade nele, de esperança. Pude ver gerações compartilhando o mesmo sentimento, que se ainda não sei como definir em palavras, sinto que chega muito perto da palavra renovação.

A terceira, é que o tempo do homem parece não diferenciar apenas em fusos, mas variar de acordo com a necessidade. Para quem está sentindo dor, o socorro parece ser mais urgente do que para qualquer outra pessoa, ainda aquele que esteja empenhado em aplacar o sofrimento. Após esta experiência, compreendi perfeitamente [acho que posso correr o risco de dizer isso] a essência das palavras do Betinho: Quem tem fome, tem pressa. Quem tem fome, quem tem dor, quem está em desespero, quem perdeu tudo, quem houve um filho chorar de dor, quem se vê impossibilitado de socorrer alguém que se encontra vivo sobre os escombros implorando socorro. Essa lição fez-me perceber que o tempo do homem depende da esfera, ou nível de envolvimento de cada um.

A quarta lição, é influenciada pela anterior. Pessoas que estão envolvidas, bem de perto muitas das vezes, mas que lamentavelmente, dolorosamente, empenham a inteligência e meios para saciar a sua ganância. E enxergam no sofrimento apenas uma oportunidade para colher seu quinhão. Se muito ou pouco, se arracam dos dedos inertes os anéis que sempre ficam; se forçam com madeiras e ferros a abertura das bocas que outrora rezavam à procura de vil metal; se chegam ao extremo de enxergar na infância a matéria prima para traficar as suas abomináveis necessidades… Ainda assim, cada um deles carrega consigo valores mais pútridos do que o odor que exala dos escombros.

A quinta, é do quanto corremos riscos quando nos preocupamos em “ser”. Tomamos muito tempo nos preparando para isso, e neste caminho nos sentimos por vezes ameaçados, seja naquilo em que temos como nossas certezas, seja naquilo que julgamos serem nossas necessidades. Muitas vezes vestimos uma armadura tão pesada, empunhamos tantas armas, que mal podemos estender a mão para um cumprimento. Nos preocupamos em carregar tantas coisas que tornamos nossos passos mais lentos e a viagem mais longa. Quando a melhor maneira de “ser”, é ser com os outros. Que apenas assim, com os outros, conseguiremos forjar a nossa mais forte armadura e armas. Que apenas na companhia de outros a viagem é mais segura e menos cansativa.

A sexta lição é que, ainda que as necessidades irrompam em nós o desejo de ser útil em todas as áreas, devemos ter bastante claro os nossos limites. Principalmente, quando a situação é bem maior do que nós e a solução parece estar acima das nossas possibilidades. Sem dúvida, um sentimento de incapacidade nos invade, de desolação e muitas vezes de culpa. No entanto, devemos nos esforçar para oferecer o que de melhor há em nós, e reforçar-mos sempre em nosso espírito a certeza de que estamos fazendo o melhor.

A sétima lição, é que talvez pela primeira vez na história inúmeras bandeiras se unem para ajudar um povo. Posso estar errado, pois não falo como especialista. Independente disso, é realmente emocionante assistir tantos seres humanos juntos trabalhando para minimizar o sofrimento de seus irmãos. O que me traz a certeza ainda maior de que não há bandeiras, não há diferenças, nem sequer fronteiras quando a nacionalidade passa a ser uma apenas: a humanidade.

A oitava, trata da força que encontramos na simplicidade de uma criança. É surpreendente como elas estão sempre nos ensinando, e a todo instante nos dando um exemplo de esperança. Esperança que, assim como elas, não pára quieta, se renova sempre. E assim que deve ser. Poder partilhar com elas desse momento é sem sombra de dúvidas uma dádiva. É um trabalho duro, que exige muito de cada um de nós. Mas, não tenho dúvidas de que recebemos bem mais do que oferecemos. Cada olhar, cada abraço, cada sorriso. Elas chegam em bando, penduram-se em nossos braços, mãos, nos agarram pelas roupas. Elas, verdadeiramente, são a nossa segurança e a nossa fortaleza. Com elas somos grandes e sonhamos alto. E por elas, principalmente, seguimos em frente.

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Mais do que nunca, celebrando a vida!

Posted by flaviosaudade em 30/01/2010

 

O berimbau toca Iúna. Ele agradece por mais um dia, por mais um reencontro. Ele pede proteção e licença para celebrar. O céu anevoado se abre aos raios de sol; passarinhos param para escutar. Desde muito o seu lamento, seja de dor ou de alegria, seja pela noite ou pelo dia, faz a alma se animar. Ainda que com o sol ou a lua cheia, seja com núvens ou com as estrelas, sua melodia corre solta pelo ar.

 

E sob o comando do berimbau, acompanhado de atabaque e pandeiro, nossos alunos voltaram ao exercício da mandinga e da malícia. Ainda que não tenham chegado todos eles, os que aqui estão nos oferecem um valioso ensinamento de que, apesar de toda dificuldade, das piores agruras, devemos seguir acreditando.

 

 

Todos perderam as suas casas, que apesar de pequenas, eram seus lares. Todos perderam os seus pertences, que apesar de poucos, eram seus. Muitos perderam entes queridos, famílias inteiras; perderam a sua referência de vida, de existência. Porém, seguem firmes na ginga; ainda encontram forças para cantar, ainda encontram coragem para sorrir.

 

Antigos e novos, compartilhando conhecimento, descobrindo juntos, crescendo juntos. Juntos tornando mais presente a esperança e mais forte o sonho. 

 

O assistente Depoté conversando com uma criança

Em cada movimento, uma escolha, uma afirmação. Em cada ataque, cada defesa, a certeza de que tudo na vida é um “sim, sim, sim; não, não, não”. 

 

 

 

Este pequenos grandes heróis, que fazem ainda maior e dão sentido à capoeira, que nos ensinam que não há exercício mais dignificante e que nos torne mais fortes do que o exercício de amar.

Assistam alguns vídeos das nossas atividades neste novo ciclo.

Alecrim fala aos alunos novos o que é a capoeira, e o que é preciso fazer para aprender. “Precisa respeitar o seu mestre, não brigar”

Aula de ritmo com alunos novos. Samba Lê, Lê!

Aula de ritmo com alunos novos. Atividade que acorre pelas manhãs e atende crianças de Kay-nou.

Primeira aula no novo ciclo.

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