Gingando pela Paz no Haiti

Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Identidade: Capoeirista!

Posted by flaviosaudade em 15/11/2010

 

Caiana, Pitomba , Moranguinho e Dandara

 

Estamos nos aproximando de mais um evento; o segundo batizado e graduação de nossos alunos. Sem dúvida, um momento muito especial para todos nós. Muitos alunos aguardam ansiosos pelo batismo e outros para receber as suas novas graduações. No primeiro ano participaram do evento 150 alunos. Este ano, contamos com cerca de 380, entre crianças de 3 anos até adultos de 45. Um exemplo de que a capoeira está se popularizando em terras haitianas e atraindo cada vez mais pessoas, das mais diferentes faixas etárias. 

Dentre as inúmeras atividades que teremos de produzir, talvez dar o nome aos alunos seja a mais difícil. É realmente uma grande responsabilidade oferecer um nome pelo qual o aluno será chamado por toda a sua vida, ou até para depois dela, como é dito no filme do Besouro. É um processo que exige atenção, cuidado. Um apelido pode tanto despertar o aluno para o aprendizado como comprometer o seu rendimento. Neste sentido, cabe ao educador ter o máximo de cuidado para oferecer não oferecer um nome que o deprecie, pelo contrário represente uma característica forte ou um traço físico marcante. Claro, há aqueles que recebem apelidos cômicos, como é o caso de um de nossos alunos, o Pinto-solto, que recebeu este apelido por viver todo o tempo digamos… se coçando. Ou ainda o Bandalha, Cortiço, Cascalho, Desastre, que dispensam comentários. A turma da desordem, como chama um dos nossos educadores, o Ligeirinho, nomeou um deles, o Xerife, aparentemente o líder, para tomar conta dos outros. E o resultado foi bastante satisfatório. Se o que eles procuram, muitas das vezes, é esta própria liderança, sobressair-se no grupo, imagina quando lhe pedem para fazer isso, oficialmente. Naturalmente a postura muda, uma postura maior de responsabilidade é facilmente perscepitível. 

Diferententemente ao primeiro batizado, desta vez aconteceu algo diferente que me deixou realmente bastante alegre. Os próprios alunos começaram a pedir seus nomes a medida que viam os seus amigos receberem os seus. Entregávamos um papelzinho com o nome para que eles decorassem. E todos faziam questão de ler. Após receber o papel, com todos sentados em roda, cada aluno ficava de pé e dizia o seu apelido. Todos repetiam e aplaudiam. 

Tantos nomes, tão diversificados quanto o nosso grupo. Um processo que me tirou o sono em algumas noites… Açucena, Lamparina, Urucum, Marimba, Irajá, Capitú, Alfazema, Tulipa, Bambolê, Moura, João-de-barro, Xadrez, Nogueira, Cana-brava, Pirilampo, Finta, Brinco, Guaraná, Dália, Cascatinha, Tucaninho, Itaú, Guaxinir, Sururu, Jururu, Arisco, Ipiiba, Lucuri… E por aí vai. 

Os apelidos realmente representam uma transformação na vida de cada um deles, dos jovens principalmente, que dizem com orgulho serem capoeiristas. E quanto mais problemas tenha tido o jovem antes de ser apresentado à capoeira é que a transformação é maior, percebida na postura e na forma de lidar com os problemas, principalmente.

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