Gingando pela Paz no Haiti

Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Um país pobre, ou um pobre país?

Posted by flaviosaudade em 11/06/2009

 

 

 

Quando era criança um dos meus passa-tempos era o de colocar o par de óculos da minha avó. Um daqueles de lentes grossas e amareladas. Lembro bem que enxergava tudo distorcido e quase sempre tropeçava em alguma coisa que não conseguia ver, mesmo estando à um palmo do meu nariz. A brincadeira não demorava pois a vista cansava ou a cabeça doía. Mas, como qualquer criança, teimava em voltar àquela brincadeira vez ou outra. 

Também é assim a visão que a maior parte das pessoas tem do Haiti. Uma visão tão distorcida quanto a que eu tinha ao usar os óculos de fundo de garrafa da minha avó. Que aliás já foram aposentados por outros mais novos. Até porque, quem pára no tempo é relógio quebrado. 

As escassas notícias sobre o Haiti, efetivamente, não refletem mais a realidade deste país caribenho. Claro, ainda persiste a instabilidade política e boa parte da população vive em condições degradantes, violentadas em seus direitos mais fundamentais para uma existência digna. No entanto, no fator segurança os índices de criminalidade estão muito abaixo das capitais brasileiras, como o Rio de Janeiro, por exemplo. E enquanto áreas como Bel-Air e Cité-Soleid são consideradas zonas vermelhas, ou seja, de alto risco, cidades como Rio de Janeiro, que apresentam índices de violência imcomparavelmente mais altos, nem sequer cor tem. No caso do vermelho, salvo algumas áreas, nem poderia… 

Outra imagem turva que muitas pessoas tem é a de que não é mais necessária a presença da MINUSTAH no país. Sem sombra de dúvida, a estabilidade e a segurança que temos hoje se dá boa parte pela atividade das tropas. Não fosse isso, temo ser impossível a presença de organizações internacionais, mesmo as de carater social no país. E para ter uma pequena idéia de como a realidade aqui é bem outra basta caminharmos alguns minutos pelas ruas. Logo é possível se surpreender com a quantidade de carros importados, inúmeras caminhonetes que circulam pelas ruas. Um amante de carros pensaria estar num pequeno pedaço do paraíso. E olha que não costumo caminhar nas áreas da classe média/alta. Por lá já ouvi dizer que é possível ver até limousines… 

Como imagens falam mais que palavras, que cada um tire as suas conclusões. Ficarei devendo mais algumas fotos, mas creio que estas já dá para se ter uma boa idéia.

 

 

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