Gingando pela Paz no Haiti

Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Nacionalidade… Criança!

Posted by flaviosaudade em 13/06/2009

 

Uma questão feita por um dos pais durante a reunião chamou-me a atenção e mereceu uma reflexão mais demorada: Como lidamos com a desordem que as crianças promovem?  Respondi que aproveitamos as oportunidades para ensinar, os problemas principalmente. E reforcei dizendo que criança é criança em qualquer lugar. Ela quer descobrir o mundo, não pára um segundo… Nós é que teimamos em lhe impor nossos limites dizendo o que devem ou não fazer. Eles entenderam a nossa metodologia, mas fiquei por muitos dias com este tema na cabeça. Hoje, ouvindo o cricrilar dos grilos lá for a, resolvi escrever algumas linhas sobre. Vamos a elas.

 

*          *          * 

Será que é possível dizer que criança é criança em qualquer parte do mundo? Posso estar errado, mas me arrisco em afirmar que sim. Criança gosta do novo, gosta de explorar e não aceita limites. Está em processo de conhecer o seu corpo e o mundo e por esta razão não pára um só minuto; corre, pula, brinca, pergunta, chora quando não consegue aquilo que quer… Para ela as diferenças… Ah! Que diferenças?! Isso não existe! 

Como pai (Sim, tenho uma filha linda e inteligente, não me canso de dizer), posso verificar isso muito bem. Para a criança lhe basta ser criança. E olha que esta não é uma tarefa lá muito fácil. Nós adultos, tomados pela correria do dia-a-dia, teimamos em coibir a criança de ser criança. Estamos sempre dizendo que isso não pode, que não é assim que se faz… Lembro-me bem, na realidade não me lembro mesmo, quantas foram as vezes que disse não para a minha filha. Hoje vejo o quanto devo ter rabiscado o mundo que ela está colorindo aos poucos… E apesar de sentir uma tristeza aguda no meu peito, talvez pela saudade que não me larga, estou feliz por acordar para esta realidade. E desejo, do mais profundo do meu ser, ser tão criança quanto me for possível. 

Assim, desejo ver o mundo com pureza suficiente que seja possível enxergar o bem que cada um carrega em si (e sempre carrega) e seguir acreditando que ele pode ser maior do que tudo. Ser tão estranho à tudo que me permita ser curioso o suficiente para descobrir e tornar novo o que já foi descoberto. Para acreditar que a felicidade é, e sempre será maior, embora lágrimas rolem no meu rosto vez ou outra, apesar de nos oferecerem tantas razões para desacreditar das pessoas.

Acredito. Eu acredito mesmo que a esperança desconhece a razão e confesso que não possuo razão alguma quando sonho. Me esmero ainda em catar estrelas pelo céu e seguir confiando que o perdão é uma das coisas mais sensatas para quem deseja viver em paz, pois o ódio e o ressentimento pesam n’alma mais do que qualquer outra coisa. Que podemos receber as maiores lições de vida em um parquinho repleto de crianças que uma delas pode ser tão sábia quanto qualquer sábio. 

Por fim, quero somente oferecer para as minhas crianças, para a minha filha, somente o que elas necessitam para não deixar nunca esvaecer esta magia que elas carregam dentro de si, neste que é um dos períodos mais prósperos e criativos para o ser humano.

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