Gingando pela Paz no Haiti

Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Eleições: uma ameaça para a estabilização e a segurança no Haiti

Posted by flaviosaudade em 17/04/2009

 

Para quem vive em um país onde não há guerras ou conflitos generalizados é díficil imaginar que, da noite para o dia, tudo pode transformar-se em um campo de batalha. Porém, esta é uma possibilidade com a qual estamos aprendendo a lidar nestes últimos dias.  

 

No próximo domingo, 19, serão realizadas as eleições para o senado, momento delicado que vem anunciando problemas há algum tempo. Meses atrás, ouvimos rumores de possíveis manifestações da população por conta da impugnação da candidatura ao senado de alguns candidatos do Lavalas, partido do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, que fora deposto do cargo em fevereiro de 2004 sob acusação de violência política e corrupção. Segundo autoridades eleitorais as candidaturas não apresentaram as documentações exigidas e, por tanto, não foram aceitas. Ficamos sob estado de vigia, mas a manifestação, se ocorreu, não tomou grandes proporções.

 

Por conta da situação instável as escolas estão fechadas e fomos obrigados a suspender as nossas aulas até o desfecho das eleições, pois Kay-Nou, sede das ações do Viva Rio e das aulas do Gingando pela Paz, está situada em Bel Air, justamente em dos bairros onde está concentrada a maior parte dos problemas. Em nossa última aula, na quarta-feira, alguns dos alunos já nos avisavam sobre os problemas que estariam para ocorrer com as eleições e já traziam a notícia de que duas pessoas tinham sido mortas pela Polícia Nacional do Haiti (PNH) em Cité Soleil, que ao lado de Bel Air, por volta do ano de 2004, foi palco de intensos conflitos que lavaram de sangue as ruas, estigmatizando ambos os bairros e seus moradores.

 

As tropas brasileiras e de outros países já estão em alerta, realizando incursões pelas ruas. A PNH já está posicionada no Palácio do Governo e o presidente em exercício, Préval, pelo o que ouvimos dizer, parece estar de malas prontas para uma viagem, contrariando orientação da ONU.

 

Resta-nos aguardar e torcer para que tudo corra bem, que as eleições sejam realizadas de maneira pacífica e que o Haiti consiga dar mais um passo rumo à estabilização política para o fortalecimento do regime democrático. Desta forma, acredito, o povo começa a conscientizar-se da sua força e, principalmente, que o voto é a melhor arma para lutar pelos seus direitos.

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