Gingando pela Paz no Haiti

Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Archive for fevereiro \07\UTC 2009

A capoeira no Haiti: um grito de esperança

Posted by flaviosaudade em 07/02/2009

Almirante e Saudade

Almirante e Saudade

É a convivência e não o sangue que cria e fortalece os laços de uma família. É a comunhão das alegrias e a partilha das experiências que nutrem o sentimento de fraternidade entre as pessoas. E após quase quatro meses de trabalho podemos dizer com segurança que essa é uma das nossas maiores conquistas.   

 

Corsário, Saudade e Dummont

Corsário, Saudade e Dummont

Essa é uma das características mais latentes da capoeira. Sempre inclusiva, absorve a todos sem distinção; multifacetada, oportuniza a comunhão das diferenças, a troca de experiências e a construção de histórias. E no Gingando pela Paz essa história é escrita a cada dia, a cada momento, tendo como protagonistas cada um de nossos alunos. 

Quiça poderemos oferecer mais para cada um deles; oferecer a oportunidade não apenas de olhar o mundo de maneira diferente, mais consciente e otimista, mas de intervir efetivamente no seu futuro e lutar por dias melhores. A semente que fora lançada rompeu o chão pedregoso e hostil, enfrenta corajosamente as atribulações e as dificuldades para crescer e dar frutos.  

A capoeira no Haiti é um grito de esperança, é o desejo latente pelo direito de sonhar e ser feliz. 

 

 

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O “Iê”: mais que um cumprimento, uma oportunidade para o aprendizado.

Posted by flaviosaudade em 05/02/2009

 

cumprimento para o jogo

Dopporté e Corsário: cumprimento para o jogo

A capoeira nos oferece inúmeras possibilidades para o trabalho. E na qualidade de educadores devemos estar conscientes para identificá-las e utilizá-las no momento oportuno. Para tanto, é extremamente importante o estado de vigia. Assim como no jogo, todos os sentidos devem estar despertos pois muitas delas podem passar despercebidas, por descuido ou mesmo por estarmos tão acostumados que não alcaçamos o seu potencial.   

Um desses momentos é o nosso “Iê”, que sempre foi para mim a melhor maneira de saudar meus camaradas e também a forma com a qual peço licença ou proteção para iniciar o jogo. Uma pessoa muito querida que reforça isso é o mestre Mendonça (RJ), relator da regulamentação da capoeira nos idos de 1932; um dos baluartes da nossa arte com a qual tenho o privilégio de tomar lição sempre que o encontro ou telefono para ele. Ser humano espiritualizado que sempre reforçou a importância dessa saudação entre os capoeiristas.

 

No entanto, apesar de buscar valorizar sempre esta atitude, ainda não tinha me dado conta de que ela oferece uma oportunidade ímpar para o trabalho. Mais que uma saudação o “Iê” encerra valores como o respeito e atua fortemente no sentimento de pertencimento.

 

Certo disso, tornamos a saudação uma de nossas regras. O aluno ao chegar, após arrumar as suas coisas sauda a todos que estão na roda. E todos devem saudar a sua chegada. Claro, no início eles não compreendiam muito bem, mas hoje eles já fazem questão de utilizá-lo. E quando um ou outro esquece, todos os outros camam a sua atenção para que retorne à entrada e faça o cumprimento.

 

Outra forma em que o “Iê” está produzindo resultados maravilhos é para chamar a atenção. Neste quesito (já em clima de carnaval) ele merece o Estandarte de Ouro. É impressisonante como as crianças atendem quando o “invoco”, seja para por fim a uma discussão, seja para chamar a atenção, seja para nos despedir… E o que mais me alegra é estar na rua e ouvir, entre uma mar de pessoas, uma voz a me saudar: Iê! Isto, verdadeiramente não tem dinheiro neste mundo ou em qualquer outro que pague.

 

Iêeeeee!

 

 

 

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A necessidade faz o homem, e o homem as oportunidades

Posted by flaviosaudade em 03/02/2009

 

Meninos no Forte Nacional

Meninos no Forte Nacional

A necessidade faz o homem. Este é um ditado que ouço há muito tempo e concordo plenamente. É na necessidade até mesmo que descobrimos as nossas maiores capacidades e quiça nossas melhores virtudes. E no Haiti convivemos com essa realidade constantemente.

Um bom exemplo são os meninos que passam o dia na porta das bases militares para aprender a falar a língua portuguesa. Motivados em aprender o idioma, buscando alguma oportunidade ou mesmo alguns Gourdes, a moeda local, recepcionam os visitantes com um português bem claro.

 

 

Espera Edwin, tradutor e amigo

Espera Edwin, tradutor e amigo

 

E temos diversos casos de meninos como estes que conseguiram boas oportunidades. Como o Steeven, que teve a história mostrada em um dos programas da Regina Casé, e que agora está no Brasil para estudar. E o espera, que trabalha conosco como tradutor e nos assistencia nas aulas. Ambos com uma característica muito importante: a força de vontade. Característica que os levaram a dar uma guinada no rumo de suas vidas e vislumbrar um futuro bem diferente dos que lhe desejaram reservar.

 

Aos poucos, as coisas parecem melhorar. Com a estabilidade da segurança lojas estão sendo abertas, o turismo começa a aumentar e ainda que modestamente a economia começa a dar sinal de vida. E muito embora a situação seja crítica, fica sempre a esperança que mais jovens possam mudar os seus destinos e  lutar pos uma vida digna.

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“Deus ajuda, quem cedo madruga”

Posted by flaviosaudade em 03/02/2009

 

A sorte vem pra que trabalha

Não devo nada a ninguém

Quem espera do céu cair a chuva

Espera o quê lhe convém

 

Aquele que ara a terra

Está certo da colheita

Quem espera nascer somente

Não reclame da desfeita

 

Meu pai me disse um dia

Dê valor aquilo que é teu

Se não é meu é de alguém

Se é de alguém não é meu, Camará

 

E viva meu Deus!

 

(Saudade)

 

 

“Deus ajuda quem cedo madruga”. A sabedoria popular é um manancial de conhecimento, um livro vivo de aprendizado. Acredito que a ajuda qual esse está a se referir chega mais rápido para quem trabalha. E é exatamente isso que buscamos fazer. Dia após dia nos esforçamos em tornar nossas aulas cade vez mais siginificativas. Todo tempo refletimos sobre as melhores práticas de ensino e de como podemos aperfeiçoá-las. Dia-a-dia refletimos sobre novas atividades e avaliamos aquelas que temos realizado. Motivados em oferecer o melhor e buscar a excelência sempre.

 

Nesta busca colhemos muitos frutos; alguns doces e outros nem tanto. Mas, todos bem vindos, pois tanto um como o outro são necessários para a nossa caminhada.

 

 

 

 

 

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