Gingando pela Paz no Haiti

Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Brasil e Haiti: similaridades de hoje e de ontem

Posted by flaviosaudade em 11/02/2009

 

O Haiti lembra o Brasil em muitas coisas: o clima, o carnaval, a paixão pelo futebol, alguns costumes, problemas. Não é difícil caminhar pelas ruas de Porto Príncipe e nos deparar com alguma cena em que poderíamos dizer que estamos no Brasil. As ruas, o comércio, é como se um pedacinho da Terra Brasilis fosse transportado para o Haiti.

 

Engraxate 

Assim como os lugares, muitas personagens nos traz este mesmo sentimento. Uma delas é o engraxate, que está em grande número por aqui. Aproveitando-se do costume do hatiano de usar roupas sociais ele é figura bastante comum. 

 

 

A “Mulher Aguadeira” 

Outra personagem é a “mulher aguadeira” que, segundo uma pesquisa, vem das províncias do interior para trabalhar na entrega de água e reside em grupos nas casas dos “donos da água”. A sua vinda para a Capital se dá pelo fato de não ser bom para a imagem ir pessoalmente comprar água nos postos. Assim, para manter o “status”, aquele que pode pagar recebe a água em casa através dos seus serviços.  

 

O Sapateiro 

Além da aguadeira temos os sapateiro, que pode ser encontrado com maior facilidade próximo ao mercado. Com sua máquina, cercado de sapatos e couro por todos os lados, ele ocupa vários pontos das ruas e trabalha em ritmo de facção. Também podemos encontrar alguns deles trabalhando em suas casas; através das portas estreitas podemos assistir um calçado nascer de suas mãos exímias e calejadas, com a ajuda de suas pequenas máquinas de costura. 

 

O Vendedor de raspadinha 

Figura bastante conhecida em algumas cidades brasileiras, o vendedor de raspadinha também está presente por aqui. Empurrando o seu carrinho, com um enorme bloco de gelo, garrafas de suco e cercado de abelhas. O grande problema é a qualidade da água com o que é feito o gelo e o seu transporte; tanto um como o outro nada confiáveis. Para quem não tem costume, ou anti-corpos suficientes, o refresco pode antecipar dias de muito mal estar.

  

Oi, soca o café no pilão. Oi soca o café no pilão… (Saudade)

Em alguns momentos parece mesmo que entramos num túnel do tempo. Assim me senti quando estava a caminhar pelas ruas de Bel Air e me deparei com duas pessoas preparando café. O homem, parecendo sair dos livros de história, socava o pilão enquanto uma senhora parecia peneirar o pó de café. Um cherinho bom de saudade fez recordar as manhãs e as tardes em família no Brasil em que o café era acompanhado de boas conversas. Sem dúvida cenas como esta podem ser vistas nos rincões do Brasil, talvez em alguns quilombos, mas esta se deu em um centro urbano, o que certamente é uma peculiaridade. Assim como as lamparinas que ganham espaço ao cair da noite. 

 

Construções à caminho de Pationville

Construções à caminho de Pationville

 

Outra cena impressiona na familiaridade com o Brasil: as favelas. Elas ocupam uma boa área e estão espalhadas pelos morros da Capital e no caminho de bairros mais afastados como Pationville. Um trecho em especial lembra muito a Rodovia Grajaú-Jacarepaguá. Favelas de ambos os lados e a estrada cortando ao meio. A produção de tijolos aqui parece ser bem grande entre os moradores. No entanto, o material parece ser de baixa qualidade, e as construções, como no Brasil sem qualquer supervisão de um especialista. O que aumenta os riscos de desabamento, assim como ocorreu no ano passado com a escola em Pationville. 

Como os personagens, outras similaridades que podemos encontrar é a rinha de galo que, diferentemente do Brasil, segundo soube  mas ainda preciso confirmar, não é proibida. Em Bel Air, principalmente, é possível ver os galos com cordões presos a suas patas, ou mesmo em cima de bancas. Apaentemente todos eles preparados para a rinha.  

Além dos galos, também encontramos o jogo, não o do bicho, mas casas como loterias. Pela movimentação aqui, como no Brasil, as pessoas apostam muito na sorte. Ainda não temos um concurso grande como a Mega Sena, mas quem ponha fé, isso parece ter de sobra…  

 

 

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2 Respostas to “Brasil e Haiti: similaridades de hoje e de ontem”

  1. me said

    It’s nice that you can see the similarities between the two country. This is why I love Brazil and Cuba because of their cultural similarities with Haiti. It’s sad (triste) that we in Haiti and in Brazil never tried to get to know each other beyound futbol and focused more on Europe and the US instead of our common pass, common roots.I hope that I will be able to take capoeira classes when I come to Haiti

    • flaviosaudade said

      Excuse my English. Stayed very happy with his comment. For us is a big happiness be able to present the capoeira for the Haiti. When we arrive the majority of the persons did not know what was. Today, many persons find us for learn how.

      The Haiti as Brazil is necessary look at its wealth. It is important know others cultures but we should value to ours first. Our countries possess many resemblances, healthy brothers, and the capoeira is barely more a form of celebrate that fraternity.

      It would stay very happy that you learned how to capoeira with agent. It would be a very big pleasure.

      Mercy

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