Gingando pela Paz no Haiti

Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Não Somos Pobres

Posted by flaviosaudade em 25/01/2009

 

 

Que mecanismos devemos utilizar para medir nossa posição na sociedade? Quais requisitos nos definem como pobres? E o que isto implica? Importa é que a pobreza somente existe no terreno das coisas materiais, quando as opiniões são fundamentadas naquilo que cada um veste. Enquanto que a natureza das coisas está na forma em que conduzimos nossas relações e nos valores aos quais atribuímos maior ou menor importância.

 

Desde cedo, somos condicionados a acreditar que ser pobre é ser menos, sempre menos. Ter menores chances de uma boa educação, de um bom emprego ou de um bom relacionamento. No entanto, ser pobre não implica ser menos. Somos iguais, apesar de nossas diferenças. Somos iguais, independente de pensarmos, vivermos e agirmos diferente. A pobreza e a desigualdade são espectros do mesmo infortúnio onde, possivelmente, seu efeito mais devastador esteja na privação do ser humano de empreender seu sonho. E pior ainda, de acreditar na realização dele. O que, muitas vezes , é um mal hereditário.

 

 Lamentavelmente, observamos, cada vez mais, que as relações humanas são baseadas no que cada um possui. A pobreza é vista como mal a ser combatido enquanto a riqueza é o bem maior no qual devemos empregar nossas esperanças, esforços e economias. Mudar de vida é a palavra de ordem. Mas que ordem é essa? A questão, é que ela tem corrompido cada vez mais as relações criando uma sociedade onde o bem material está acima daquilo que é essencialmente humano. Onde o capital é o grande gestor das relações e as inteligências são empregadas para a manutenção do poder e do lucro, fazendo da corrupção moral uma das maiores anomalias do mundo moderno.

 

No entanto, quando experimentamos olhar “para o que se carrega no coração” é que podemos, verdadeiramente, ter noção do valor de cada um. Não há pobreza quando, irmanados, vemos num olhar o potencial, a capacidade e os sonhos. Quando vemos que, apesar das dificuldades e das privações, ainda existem pessoas que escolhem agir de maneira correta, independente de as circunstâncias muitas vezes induzi-las ao erro; que optam por carregar pouco no bolso em lugar de abrirem mão de sua dignidade; que fazem questão de serem felizes e de cultivar o bem acima de qualquer coisa.

 

Num momento em que calculamos os efeitos de nossas ações na natureza, em que fazemos previsões sobre a existência futura no planeta, em que nos deparamos com a urgência da reposição das florestas, talvez seja a hora de cultivarmos uma nova consciência onde não nos sintamos superiores a tudo, mas igual e parte. Onde esteja garantido o direito maior de cada um, seja quem for e onde quer que esteja, de desenvolver-se em sua plenitude e de realizar as mudanças necessárias à sua humanidade. Pois o desenvolvimento é iminente e a evolução um direito irrevogável que não está condicionado aos mecanismos materiais, mas à vontade de cada um e a nós como o Todo. 

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