Gingando pela Paz no Haiti

Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Ética ou progresso?

Posted by flaviosaudade em 25/01/2009

 

Ao ler sobre o concurso, mais especificamente sobre o tema, tive a certeza de que discorrer sobre ele seria um bom exercício, apesar de profundamente trabalhoso. E após traçar um planejamento duas idéias surgiram: A Política e a Bandeira Nacional, mais propriamente a sua inscrição. Duas coisas que no primeiro momento deveriam estar associadas, mas que na prática estão cada dia mais distantes. A única bandeira que deveria tremular mais alto dá lugar para outras das mais diferentes cores, formas e tamanhos. O progresso, que deveria reger todo e qualquer ato, confunde-se com interesses mesquinhos que se valem dos mais ardilosos artifícios para alcançar a satisfação pessoal. Apesar de a ética perpassar todas as áreas das relações humanas, na prática é flagrante que o seu exercício esteja ainda muito distante da realidade da maioria das pessoas. A própria formação da sociedade brasileira contribuiu para dificultar até mesmo a compreensão dos princípios mais fundamentais de uma sociedade. Além disso, não fomos educados para o exercício da reflexão, a construir nosso próprio conhecimento a partir do processamento das informações que recebemos dia após dia.

Embora o Brasil fulgure hoje com uma das principais potências do futuro e esteja na vanguarda de diversas áreas, como pesquisa e produção de energia sustentável, muito ainda necessita ser feito para que possamos alcançar um ritmo de desenvolvimento compatível com nossas necessidades. E boa parte desta empreitada não está ligada propriamente em ações políticas ou de ordem econômica, mas ao desenvolvimento do nosso próprio povo. Por muito tempo estivemos sob um sistema degradante que deixou marcas profundas em nossa formação; marcas que nos acompanham até os dias de hoje e que comprometem nossa caminhada.

Uma delas é a dificuldade de compreender que a liberdade está intrinsecamente ligada à responsabilidade e que para todo ato uma reflexão anterior é exigida; aquelas em que estejam envolvidos os interesses de outrem, principalmente. Ao contrário, popularizou-se a idéia de que é “esperto” quem consegue burlar as leis ou as normas para levantar vantagem. E ainda que não passa de “otário” aquele que buscar agir de forma correta dentro dos limites da lei e do bom censo. Pensamento que pode ter sido fruto de um processo cultural forjado de forma exclusivista, que durante muito tempo preocupou-se em delimitar e alargar a distância entre as classes. E que pouco se mostrou preocupado em desenvolver políticas inclusivas para uma população que se acostumou a viver sempre à margem.

Além disso, a falta de uma educação que, efetivamente, esteja comprometida ao ensino da reflexão é outro fator a ser considerado. Não há como exercer uma postura ética se não sabemos exercitar o próprio pensamento, se não foi criada uma base argumentativa que possibilite a construção do pensamento. Não uma postura que exija apenas a repetição de ensinamentos previamente oferecidos, mas uma postura pró-ativa em que o conteúdo oferecido inspire a busca de novas informações, possibilite a sua maturação para que esta seja transformada em conhecimento. E acima de tudo, que este conhecimento encontre espaço para ser compartilhado.  

Por fim, a ética é fator preponderante para que o progresso ocorra. Mas é preciso estar atento para o fato de que a ética pressupõe um exercício, e que o seu exercício é o próprio progresso, que se dá a cada dia. E que é ainda maior o progresso que ocorre em silêncio, na consciência de cada um de nós. É para este a que devemos direcionar todos os nossos esforços, sem esmorecer, para que possamos construir as bases do desenvolvimento. Termos em mente que é muito fácil transferir a responsabilidade para outras pessoas, buscar culpados para nossas agruras e infortúnios. Mas que o momento exige que assumamos a parcela da responsabilidade que nos cabe. E que para isso ocorra, é imprescindível abandonarmos a concepção de ética que ficou marcada pelas comissões formadas em função do caos de moralidade que se formou no cenário político e compreender que ela é elemento fundamental para contribuirmos para uma sociedade melhor e mais humana.

 

 

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