Gingando pela Paz no Haiti

Relatos de um capoeirista em terras haitianas

A segurança

Posted by flaviosaudade em 20/01/2009

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A segurança

Como não há luz elétrica, é um tanto perigoso sair pelas ruas à noite, pelo menos a pé. Porém, pelo menos por enquanto, ainda não ouvi um único tiro, como costumava ouvir do meu apartamento no Rio de Janeiro. Claro, o perigo existe e é ainda maior para os estrangeiros.  Há casos de sequestros por grupos que exigem resgates em torno de US$1000. Um valor considerável a julgar pelas condições de vida. E assim como no Brasil, os períodos de festas parecem aumentar os casos. Existem também algumas gangues, que à exemplo dos grupos dos EUA disputam territórios. Hoje, porém, após a ação da polícia em conjunto com a Missão Internacional suas atividades diminuíram drasticamente.

No ano de 2007 o Viva Rio intensificou as suas ações mediando a assinatura de um acordo de paz, dando os primeiros passos para a criação de uma Brigada Comunitária de Segurança, além de outras ações na área de segurança, saúde nas escolas e tratamento e distribuição de água. Tais ações têm contribuído muito para melhorar a vida da população. Segundo o Coronel Fioravante, ex-comandante da tropa brasileira (BRABATT), a quem tivemos o prazer de conhecer, a situação é bem melhor do que alguns anos atrás, quando os conflitos eram intensos e era muito comum encontrar corpos pelas ruas. Também é visível o crescimento do número de obras e a abertura de novas lojas.

 

O Hotel Oloffson

vista-frontalApesar de ser considerado o país mais pobre das Américas, o Haiti foi a primeira república a conquistar a independência, em 1804, e a ter um negro na presidência, Jean-Jacques Desaline. Os ex-escravos haitianos foram ainda os primeiros a derrotar Napoleão Bonaparte. Porém, na ocasião, sofreu duras sanções pelas principais potências da época: Inglaterra, França, Espanha e Estados Unidos, por representar uma ameaça. E apesar de até hoje parecer sofrer as consequências dessa ousadia, ainda guarda resquícios dos tempos em que era considerado a “Pérola do Caribe”. Um deles é o centenário hotel Oloffson, cenário que inspirou o famoso romance “Os Comediantes”, de Grahem Greene. Além dele, passaram por aqui personalidades como Ed Bradley, Harold Courrandler, Jean Claude Van Dame, John Barrymore, Jonathan Demme, diretor de filadélfia. E mais recentemente: Daiane Len (Infidelidade), Madeleine Stowe (O último dos moicanos) e Josh Brolin (Onde os fracos não têm vez). Estes tive a oportunidade de ver pessoalmente. Mas, para ser sincero, me sentiria mais feliz na presenca de uma Fernanda Montenegro ou de um Milton Goncalves…

restaurante-vista-internaO hotel precisa de uma boa reforma, é bem verdade. A estrutura, quase toda ela de madeira (ainda nao vi um extintor sequer…), já demonstra sentir o peso da idade. No entanto, ainda que o chuveiro e a televisão nao funcionem direito, ainda que parte do teto caia sobre nossas coisas, ainda que a comida `as vezes leve uma hora para chegar, o Oloffson ainda preserva seu glamour. E’ bastante comum ver estrangeiros por aqui, seja frequentando o restaurante, seja fazendo fotos. E’ onde funciona a sede administrativa do Viva Rio, que em breve ira’ ser transferida para Bel Air, bairro situado em Porto Principe, no local onde funcionava a antiga sede de uma industria que fora saqueada na e’poca dos conlfitos.

 

Uma das muitas pinturas do hotel que lembra a arte Naiff

Uma das muitas pinturas do hotel que lembra a arte Naiff

Uma caracteristica interessante do Oloffson e’ a presenca do voddo. O hotel e’ cercado de pinturas e imagens que simbolizam esta pra’tica, que se assemelha muito ao Candomble’. Alguns dizem ate’ que a independencia ocorreu apos ser realizada uma cerimonia voddo, alem de outras historias que povoam o imaginario popular. Um dos momentos mais marcantes, eu diria, foi uma manifestacao chama Guede, comemorada no dia de Finados, quando uma multidao sai em procissao em direcao ao cemiterio, acompanhados pelas cornetas do Haha, grupos musicais tradicionais por aqui. `A exemplo dos antigos entrudos no Rio de Janeiro, cada grupo tem a sua multidao de adpeptos que seguem animados pelas ruas. Pore’m, assim como no entrudo o encontro de dois grupos pode acabar em conflito. Dessa forma, cada um sai em respectivos hora’rios para evitar o confronto.

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