Gingando pela Paz no Haiti

Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Chegando no Haiti

Posted by flaviosaudade em 13/01/2009

   

Mercado

 

Após passar um “perrêngue” pelos aeroportos da vida (feliz quem tem histórias pra contar). Após ouvir e ler muita coisa sobre este país, coisas no mínimo preocupantes, cheguei a algumas conclusões.  

Primeira conclusão: Realmente, estamos num país onde a maior parte da população vive em situação crítica, de calamidade social. Na capital, falta água, alimento e luz para a maior parte da população. Quando não falta a primeira, é de baixa qualidade. O segundo é caro demais. A terceira está concentrada praticamente nos locais públicos. No centro, é comum pela noite ver barraquinhas iluminadas por candeeiros, velas. É comum ver pessoas reunidas para assistir televisão na praça, e soube que algumas estudam sob a luz dos postes. O nível de desemprego é altíssimo e a ociosidade é grande. Pela manhã uma multidão toma as ruas, onde vende-se comida e toda sorte de coisas. Em algumas podemos encontrar uma quantidade grande de lixo. Tanto que em algumas descidas ele acumula no canto das calçadas impedindo a água suja de passar. E é comum ver as pessoas empurrando os detritos para o meio da rua. Em um desses locais a vala segue rua abaixo até econtrar um terreno plano onde faz surgir um cenário triste: pessoas transitando sobre a água suja, respirando um enorme mal cheiro. Muitos deles, talvez por estarem acostumados, pisam na água sem qualquer cerimônia. E a precariedade aumenta à medida em que nos aproximamos do mar.

 

 

 

Os Tap-tap`s

          Tap-tap                                                                                                                                                                           

E é justamente neste terreno plano e sobre a vala onde escontramos um ponto do “Tap-Tap” que vem a ser o segundo meio de transporte dos haitianos. Sim, pois o primeiro parece ser a famosa “viação-canela”. Existem dois modelos de Tap-Tap. O primeiro é uma pequena caminhonete comum com uma cobertura baixa, aberta atrás, onde as pessoas se alojam em dois bancos paralelos. Vale dizer que são muitas pessoas! O Segundo é bem peculiar, lembra um micro ônibus – ainda mais micro – e são bastante coloridos, com imagens de jogadores de basquete, cantores como Tupac, Bob Marley.  

Alguns possuem som alto e tocam música, hip-hop em sua maioria. Momento perfeito para sentir o calor e a transpiracao humana. Na hora do rush eles saem abarrotados de pessoas; algumas vão penduradas se equilibrando pelas ruas. Vale dizer que o trânsito aqui obedece a lei da buzina, quase uma pandemia por aqui. Nas ruas os carros é quem têm a prioridade e acaso o pedestre fique na frente, tome buzina! Assim, tem de ter habilidade para atravessar as ruas. No entanto, apesar da auto-organização e de as ruas serem de mão dupla, as vezes tripla ou quádrupla, o trânsito flui. Ainda não presenciei nenhum acidente. Aqui o espécime motosapiens ainda não é tão grande, salvo algumas poucas motos e poucas bicicletas.  

Os carros são todos importados, creio, muitas caminhonetes do tipo Hilux. Mas, óbvio, existem também veículos rodando em condições precárias que hipótese alguma rodaria pelas ruas do Brasil, salvo algumas localidades. Segundo soube, ter um carro aqui não é tão caro como no Brasil. Aliás, bem menos caro. E diferentemente da moto, também precisa ter carteira de motorista, apesar dos pouquíssimos guardas de trânsito e da falta de semáforos.  

Em suma, é bastante difícil, pelo menos para mim e por enquanto,  distinguir qual Tap-tap devo pegar para chegar até o meu destino. Quando muito tomo um táxi, que por aqui é comunitário. As pessoas entram, e ele segue em direção ao destino daquele que entrou primeiro. Assim, em algumas ruas, pelo menos das regiões mais críticas, temos de estar com atenção redobrada, desviando de carros, tap-taps, lixo, valas e bueiros sem tampas. Aliás, que se tornam verdadeiros buracos, oferecendo grande risco em dias de chuva. Ouvi casos de pessoas que caíram em alguns deles e foram ser encontradas no mar, não tão distante daqui, mas suficiente para “mandar a alma dessa para melhor”, ou pior…

 

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