Gingando pela Paz no Haiti

Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Intercâmbio com a República Dominicana

Publicado por flaviosaudade em 18/10/2009

 

 

Nos dias 9 a 12 estivemos na República Dominicana para um intercâmbio com o Grupo Alemar, do Monitor Kazan, que desenvolve um trabalho naquele país. Com aulas no Centro Cultural do Brasil, em academias como Gold`s Gym, realizando rodas nas praças e em locais públicos Kazan e seu alunos realizam um belo trabalho de divulgação da cultura brasileira através da capoeira.

 

  

O Intercâmbio foi repleto de emoções e novas experiências, a começar pelas 9 horas de ônibus por conta de alguns contratempos. O primeiro deles na fronteira, onde o cenário lembra muito alguns filmes. Gente para tudo que é lado, pessoas oferecendo dinheiro para troca, os mais variados tipos. E ao descermos do ônibus para os trâmites burocráticos é que realmente nos sentimos perdidos, pois não há qualquer tipo de controle ou organização; nenhuma alma viva para dar informações. Devemos seguir o fluxo das pessoas até chegar nos cuichês da imigração.  

Passado o sufoco da imigração demos continuidade a viagem. E é de impressionar como a paisagem muda quando atravessamos a fronteira; a diferença é realmente gritante. Para nós, que estamos acostumados com Haiti, tudo parece uma novidade, desde uma rua limpa (não que por aqui não se veja isso), shoppings, luz nas ruas, escadas rolantes, Mc Donalds… Parecia mesmo que estávamos descobrindo um mundo novo. 

Fomos recebidos pelo Kazan, que há 8 meses não passava de um amigo virtual; deixamos as malas na sua casa e seguimos para a nossa primeira roda, um momento muito especial em que tivemos o primeiro contato com os seus alunos. Era hora de deixar o cansaço de lado, deixar o Axé rolar e vadiar com os nossos mais novos camaradas. E a nossa caminhada estava apenas começando… A agenda estava cheia e ainda teríamos muitas rodas naquele final de semana. 

No sábado pela manhã abrimos o dia com uma exbição de uma filme no Centro Cultural do Brasil, Pastinha. Uma Vida pela Capoeira. Foi a oportunidade para o povo dominicano entrar em contato com a sabedoria e sapiência do velho mestre, esterno guardião da Capoeira Angola. Após o filme tivemos um rápido bate papo onde pudemos encontrar muitas semelhanças entre as culturas dominicana, brasileira e haitiana. E o bate papo continuou, acompanhado de uma boa feijoada, com direito a caipirinha e samba. Todos esses eles em pequena dose pois a jornada ainda estava longe de acabar.

 

 

De lá seguimos para a Gold`s Gym para uma aula com os alunos do Kazan. Uma aula animada que culminou com a entrega da graduação de uma das alunas, feito reservado para o nosso amigo Ligeirinho, que também recebei a responsabilidade de dar um apelido para a aluna: Cabocla. Momento de muita descontração, uma roda bastante animada que finalisou em ritmo de retirada, pois iríamos retornar para o centro cultural para uma apresentação. 

 

Ligeirinho orientando a Cabocla

 

Kazan puxando a ginga

Kazan puxando a ginga

 

Filha na meia-lua de frente

Filha na meia-lua de frente

 

 

 

Roda para batismo e graduação da Cabocla

Roda para batismo e graduação da Cabocla

 

Cabocla e Ligeirinho. Saída para a roda

Cabocla e Ligeirinho. Saída para a roda

 

Cabocla e Saudade

Cabocla e Saudade

 

Cabloca recebendo a graduação do Ligeirinho

Cabloca recebendo a graduação do Ligeirinho

 

A apresentação no Centro Cultural contou com um público animado de brasileiros e dominicanos, que já estavam no “esquenta” em ritmo de samba e ao gosto da feijoada e caipirinha, especialmente preparada pelos amigos da cantina do CCRD. Esta roda também guardou um momento muito especial, pois tive a felicidade de oferecer o apelido a uma das aulas do Kazan: Rosa-branca. Apelido que me rendeu uma boa preocupação, desde quando o nosso amigo passou-me esta baita responsabilidade. No final, tudo deu certo, o apelido chegou e com ele uma música ainda.  

 

Rosa-branca

Girino e Rosa-branca

 

Rosa branca que nasceu lá na Bahia / Rosa branca que me traz tanta alegria… 

Como foi de improviso, boa parte se perdeu da memória. Mas, valeu. A rosa-branca é um símbolo de pureza, de amizade, e era o símbolo de um grupo que lutava contra Hitler e o Nazismo. 

No domingo fomos para a praia. Sol forte, terra e mar. E, claro, não faltou uma roda de capoeira. Armamos o berimbau e não demorou muito para a roda estar formada e o Axé correndo solto. E ainda fechamos com uma roda pela noite na casa de uma das alunas do Kazan. Apesar de cansados, a roda foi bastante agradável e a energia tranquila. 

 

Filha e Aíla ao pé do berimbau

Filha e Aíla ao pé do berimbau

 

 

 

Por fim, dias bastante intensos que nos proporcionaram muitos momentos bons e fazer novos amigos. Agradecimento especial ao Kazan e o Abutre que gentilmente nos receberam em sua casa, à Filha, Rosa-branca, Mulata, Chibata, Cigana, Areia, e a todos outros amigos do Alemar Capoeira, à Cris e a Ana Paula do Centro Cultural do Brasil na República Dominicana, aos amigos da cantina que sacearam um pouco a nossa necessidade da culinária brasileira e a todos os brasileiros que prestigiaram as rodas.

Em breve mais fotos na galeria.

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Apresentação na Comemoração à Independência do Brasil

Publicado por flaviosaudade em 27/09/2009

 

 

Ouviram do Ipiranga às margens placidas, de um povo heróico um brado retumbante… [treho do Hino Nacional do Brasil]

E foi o brado do guerreiro que fora forjado em suor e sangue, no trabalho pesado que lhe fortaleceu os músculos, no sofrimento que lhe preparou o espírito. O brado que ecoou às margens plácidas dos muitos Ipirangas e correu os quatro cantos do mundo, fazendo levantar tantos outros que ainda que não falassem a mesma língua, compartilhavam o mesmo sentimento: o de liberdade, de respeito, de direitos. Brado que não cala, não silencia; que está nos olhos, no negacear do corpo, no gesto; que se movimenta pelas palavras, pelo cântico; que ganha força no rufar dos atabaques e que vira nação na melodia do berimbau; nação de todos, de homens e mulheres, de todas as cores, de todas as idades, de todas as dores, de todos os amores, de todas as flores, de todas as falas, de todo querer, de todo saber, de todo vencer, de todo viver. 

Outro sentimento não me vem ao coração senão o de felicidade. Penso ser esta a palavra para definir melhor o que foi para nós a participação nas comemorações da Independência do Brasil realizada no último dia 8. Uma bela festa que ofereceu aos convidados a oportunidade de conhecer um pouquinho do nosso país, da nossa gente.

 

 

  

 

Há um mês ensaiavamos com os nossos alunos o jogo do maculelê para esta apresentação. Trabalho duro pois eles jamais tinham visto coisa parecida. Iniciamos, como muitos já fazem, com garrafas de plástico para trabalhar juntamente ao maculelê a consciência ecológica e de preservação do meio ambiente, algo urgentíssimo por aqui. As aulas fizeram tanto sucesso que chamaram até a atencão dos moradores da comunidade que fica ao lado de Kay-Nou, que passaram a acompanhar as aulas de cima de suas casas.

Além de ensinar os movimentos e algumas músicas, tivemos de inspirá-los ao o quê realmente é o maculelê, fazer com que sentissem a veia do guerreiro que anseia pela liberdade, que faz do seu brado a sua arma, que faz dos bastões a extensão do seu corpo para fazer tombar o opressor. Essa conecpção ajudou muito para convencer os jovens de usar os saiotes de palha da costa, no início dos ensaios quando falamos da vestimenta alguns se recusaram sumariamente.

E valeu. Os alunos assimilaram com uma facilidade impressionante e logo estavam dançando e cantando (em português) com uma desenvoltura incrível. “Dou boa noite pra quem é de boa noite. Dou bom dia pra quem é de bom dia. A benção, meu papai, a benção. Maculelê é o rei da valentia”.

 

O maculelê foi tão bem aceito que duas de nossas alunas compuseram músicas em Criole. Um resultado realmente fascinante que emocionou a todos que estiveram presentes no evento. E o destaque maior ficou por conta das crianças que deram um show.

E como não poderia faltar também tivemos uma bela e especial roda de capoeira, que contou com a participação de soldados do BRABATT. Uma oportunidade preciosíssima para nossos alunos de estarem em contato com mais capoeiristas, estilos, cânticos.

A roda, repleta de boas energias, de Axé, reuniu brasileiros e haitianos. Mais um belo exemplo do potencial da capoeira para unir povos e diferentes em um mesmo espaço de celebração, onde todos se fazem um; um só corpo, uma só mente, uma só voz, um só olhar. Todos irmanados pelo sentimento de fraternidade e filhos da mesma Mãe gentil, que recebe em seu seio farto todos os povos: o planeta TERRA.

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Meu primeiro berimbau

Publicado por flaviosaudade em 22/09/2009

 

Artesão tocando o seu berimbau

Artesão tocando o seu berimbau

 

A surpresa é uma das valências da capoeira, e no jogo pode ser tanto uma aliada quanto uma inimiga das mais perigosas. E quando nos dirigimos ao universo da aprendizagem, podemos encontrar inúmeros exemplos. Ela está sempre nos surpreendendo, ampliando o nosso olhar, expandindo a nossa compreemsão das coisas, das situações. Claro, isso exige um bom trabalho, pois observar é sempre um exercício, que deve ser apurado constantemente. 

E a surpresa vem de onde menos esperamos, quando menos esperamos, é evidente. E tivemos uma surpresa emocionante em nossa aula da última sexta-feira. Um de nossos alunos chegou com um berimbau. Um berimbau feito no improviso, com um pedaço de madeira cortado ao meio, uma lata de molho de tomate e um arame. 

 

 

O ato da confecção do instrumento por só só já foi uma surpresa muito boa, pois trata-se de um dos alunos mais novos. No entanto, o que mais me surpreendeu foi que além de ter confeccionado o seu próprio berimbau e também o tocou. E para a surpresa ser ainda maior o toque foi de o de Iúna, um dos toques, senão o toque, mais importante da capoeira; toque realizado apenas para mestres, normalmente, que utilizo para chamar os alunos para a roda.  

O episódio me fez recordar o meu primeiro berimbau, a cerca de 18 anos atrás, feito com galho de amoreira e lata de Nescau. O desejo de aprender a tocar o berimbau era tanto que meti a mão na massa. E penso que foi este mesmo sentimento que moveu este aluno, recém batizado com o nome de Artesão. Sentimento que, não tenho dúvidas, poderá levá-lo a realizar muitas outras coisas boas em sua vida que está apenas começando. 

Para premiar o seu esforço, a sua iniciativa o Artesão recebeu o seu uniforme, coisa que normalme acontece após o aluno ter três meses de treino, com o mínimo de faltas e atrasos e se houver respeitado algumas regras criadas pelos próprios alunos. 

 

 

Artesão e Saudade

Artesão e Saudade

 

E o que pode parecer um privilégio também é uma responsabilidade, pois como bem o lembrou o Ligeirinho, agora ele terá de continuar a ser um exemplo para os outros; terá de se comportar, treinar, se esforçar… 

Não demora muito e teremos um chuva de berimbaus improvisados. Confira aqui o Artesão demonstrando o toque de Iúna.

 

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Capoeirando em Cité Soleid

Publicado por flaviosaudade em 17/09/2009

  

 

No sábado, 5, alguns alunos do Gingando pela Paz se apresentaram em uma Colônia de Férias em Cité Soleid, um dos bairros da capital Porto Príncipe. O convite veio pelo Comitê Olímpico Hatiano que realiza o evento todos os anos objetivando despertar em crianças e jovens o interesse pelo esporte e fomentar o espírito de equipe. Esta edição contou com o apoio da Embaixada do Brasil e do Batalhão Brasileiro de Força de Paz. 

 

Soldados da Paz e Guilhermo, representante da Embaixada do Brasil

Soldados da Paz e Guilhermo, representante da Embaixada do Brasil

 

Ao chegarmos deparamos com uma quantidade enorme de crianças que se expremiam sob um sol escaldante para assistir as diversas apresentações. Street Dance, danças folclóricas, manobras com bicicletas… Não faltaram atrações. Cada movimento era acompanhado por olhares atentos, por aplausos e gritos de euforia. 

 

 

Começamos a armar os berimbaus e logo estávamos cercados. É um arco! Dizia uma criança. Não é! respondia outra… Curiosidade total. E bastou o berimbau começar a “falar” para elas compreenderem que estavam diante de algo que elas jamais tinham visto até então. Era possível ver claramente em cada semblante o fascínio misturado ao estranhamento. 

 

 

Iniciamos a entrada sem que a maior parte do público soubesse o que iríamos apresentar. E enquanto no microfone o mestre de cerimônia falava ao público sobre a capoeira e o projeto caminhávamos com nossos alunos ao som do berimbau. 

 

 

 

A apresentação foi rápida pois o chão estava extremamente quente com o forte sol que fazia naquela manhã. Mas, os alunos deram o seu recado e, certamente, deixaram muitas crianças com desejo de aprender as negaças da nossa arte-manha. 

 

  

 

Após a apresentação nos dirigimos para uma escola próximo dali onde os alunos descansaram e almoçaram. Coisa rara para muitos, sabemos, acostumados a fazer uma refeição apenas por dia. Após enfrentar o sol e o chão quente era momento de relaxar e aproveitar. 

 

  

 

 

Agredecimento ao Comitê Olímpico Haitiano, ao Embaixador Igor Kippman que nos indicou para a apresentação, e a toda produção que trabalhou duro para a realização deste importante evento. No próximo ano estaremos lá, com certeza. Quiça contaremos com a presença de algumas crianças de Cité Soleid na roda.

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Cité Soleid: a Maré Haitiana

Publicado por flaviosaudade em 17/09/2009

  

Faixada de uma das casas de Cité Soleid

Faixada de uma das casas de Cité Soleid

 

Cité Soleid é um dos bairros da Capital Porto Príncipe que ficou conhecida pelos intensos conflitos em meados de 2003. Um triste momento que rendeu até um filme intitulado Massacre em Cité Soleid. Ainda não tive a oportunidade de assistir, mas pelo que dizem a produção mostra claramente a onda de violência que lavou de sangue as ruas. E as marcas ainda podem ser vistas nas paredes e muros de casas; cenário que lembra muito algumas comunidades do Rio de Janeiro. 

É o caso do Complexo da Maré, um conjunto de favelas situado na Zona Norte da cidade  que assim como Cité Soleid carrega as marcas causadas pelo conflito entre gangues armadas. No Rio um exemplo pode ser visto entre as comunidades da Nova Holanda e o Morro do Timbau, a chamada “Faixa de Gaza”. Inúmeras perfurações de armas de fogo, dos mais variados calibres fazem as casas parecerem um queijo suiço. Em uma escola que fica exatamente na divisa encontramos os vidros das salas de aula quebrados, paredes perfuradas e pode-se ter uma pequena idéia dos tormentos que professores, alunos e funcionários são obrigados a passar.   

Em Cité Soleid as marcas da guerra permanecem, nas casas, nos corpos, na memória daquela gente; como um açoite que não cessa e que aflige a todos sem distinção. No entanto, pelo pouco que pude ver, assim como em algumas comunidades do Rio de Janeiro, encontrei uma gente cheia de vida e de esperança que sabe celebrar muito bem a alegria de viver e que, tenho certeza, encontrará o caminho para por fim a este julgo.

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Encontro de Responsáveis e Roda para Aniversariantes

Publicado por flaviosaudade em 09/09/2009

 

 

No último sábado, 29, realizamos mais uma reunião de mães, pais e responsáveis. E neste exato instante penso que deveríamos mudar o título de “reunião” para encontro. Explico. Sinto que talvez o termo reunião tenha um caracter sério, formal demais. Enquanto que encontro me parece soar mais suave, menos formal, prazeroso até em muitas circunstâncias. E é exatamente o que desejamos para cada encontro com os responsáveis dos nossos alunos, que este seja um momento prazeroso, alegre, onde poderemos compartilhar idéias e percepções; onde poderemos refletir juntos sobre como a capoeira tem ajudado no desenvolvimento das nossas crianças e de que maneira ela poderá contribuir ainda mais para a formação de cada um de seus filhos.

 

 

 

Como ocorreu nos dois encontros anteriores o clima no início foi de reunião. E para evidenciar ainda mais essa característica no horário marcado, diferentemente das duas oportunidades anteriores, às10 da manhã, a maior parte das cadeiras já estavam ocupadas. Tivemos a presença de cerca de 60 responsáveis. Semblantes sérios, posturas rijas. Iniciamos informando os eventos realizados no mês, dos eventos previstos, relembramos a importância da participação de cada um deles para a continuidade do projeto… uma brincadeira aqui e outra ali… e logo estavam mais relaxados e participativos. E um momento especial marcou a transição do sentimento de reunião para o de encontro: a entrega dos crachás dos alunos.

 

 

 

O que poderia ser uma coisa simples, apenas um documento de identificação, possui uma representatividade bem maior. Ele representa pertencimento, e a própria materialização dele. Os crachás, mais que um instrumento para a nossa organização, é uma divida antiga que tínhamos com os nossos alunos. Após divulgarmos que cada aluno teria o seu crachá eles não paravam de perguntar quando o “bem-dito” chegaria. E eis que chegou a hora. Para nós o cracha é um instrumento de educação, pois a criança terá de ser responsável por cuidar do seu crachá, assim como é responsável pelo seu uniforme, claro, em parceria com os seus pais.

 

  

 

A Roda do mês e a Comemoração dos Aniversariantes

 

 

Após a reunião realizamos a nossa roda mensal juntamente com a primeira comemoração dos aniversariantes do mês. Como não poderia faltar a nossa primeira comemoração contou com bolo, um deles com o nome do projeto. Agradecimento especial a Rachelle Pavilus, da administração do Viva rio, que nos ofereceu essa bela supresa. O momento especialíssimo contou com a participação dos pais que puderam assistir seus filhos apresentarem o resultado de todos esses meses de muito treino e dedicação.

 

 

 

 

Para nós esta pequena comemoração foi uma vitória pois a nossa equipe trabalhou duro para realizar enfrentando problemas de toda ordem. Um deles verificamos em uma anamnese que realizamos juntamente com as inscrições. Algumas crianças não possuem certidão de nascimento e sequer sabem o dia em que nasceram, assim como os seus pais. Outras são órfãs, moram com parentes ou na casa de outras pessoas, e por aí vai. Desta forma, acreditando ser a comemoração do aniversário um dos fatores básicos para a formação da cidadania, bem mais amplo que o sentimento de pertencimento, um sentimento de SER, verdadeiramente, decidimos incluir a comemoração em nossas atividades, ainda que tenhamos que escolher uma data de aniversário para algumas crianças ou ainda comemorar pelo simples fato de estarmos juntos por mais um mês. 

 

 

 

 

 

E chegou a hora de partir o bolo!

 

 

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Apresentação para a Revista Época

Publicado por flaviosaudade em 02/09/2009

 

 

O mês de agosto realmente nos reservou momentos muito especiais. Um deles foi a apresentação que realizamos para uma matéria da Revista Época na última sexta-feira, 28. Tivemos a alegria de receber alguns amigos capoeiristas que estão em missão pela tropa brasileira para uma tarde de muita capoeira e de muito Axé.

 

Capoeiristas e Soldados da Paz

Capoeiristas e Soldados da Paz

 

Nagô e Ligeirinho ao berimbau. Ritmo cadenciado

Nagô e Ligeirinho ao berimbau. Ritmo cadenciado

 

Para nós é muito importante que os nossos alunos percebam o quanto as suas vidas mudaram e como ainda podem mudar. Neste sentido, prezo muito a cada visita, e a cada apresentação, principalmente, dizer-lhes que as pessoas querem assistir eles, que eles são especiais, capazes, que ELES são os artistas. E isso tem nos trazido resultados bastante positivos.

Além disso, a roda possibilitou ao nossos alunos entrar em contato com novos estilos, com novos movimentos, novas músicas e compartilhar ainda mais da energia da nossa arte. Não tenho dúvidas de que este momento ofereceu ainda mais motivação para que eles sigam aprendendo cada dia mais e mais.

 

Magdala e Ítalo ao pé do berimbau

 

Emília e Carrapicho. Uma nova forma de ver o mundo.

Emília e Carrapicho. Uma nova forma de ver o mundo.

 

Uma das grandes valias da capoeira e uma de suas forças é a de promover o diálogo e o encontro. Ainda que não se saiba nomes, ainda que não se conheça a história, ainda que de nacionalidades diferentes, ainda que aparentemente em lados diferentes, ainda que vestindo fardas ou abadás, a roda é o momento para perceber que todos somos iguais. E, acima de tudo, que é possível celebrar a amizade e trabalhar juntos para um mundo melhor.

Agradeço a presença dos amigos Ítalo, Nagô e demais camaradas, ao BRABATT, a equipe da Revista Época e a toda equipe do Viva Rio.

Aguardem. Breve estaremos nas bancas!

 

Mais fotos!

 

Saudade e Ítalo: saída para o jogo

Saudade e Ítalo: saída para o jogo

Cansado voando no "martelo cruzado"

 

Ítalo (Ligeirinho e Aíla ao fundo)

Ítalo (Ligeirinho e Aíla ao fundo)

 

Capoeira é luz!

Capoeira é luz!

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Visita da Comitiva de Senadores Brasileiros

Publicado por flaviosaudade em 02/09/2009

Outro importante momento foi a visita da comitiva de senadores brasileiros no mês de agosto. A comitiva foi liderada pelo senador Eduardo Azeredo, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e foi acompanhada pelo Sr. Embaixador Igor Kipman e pelo comandante do BRABATT. Após visitar alguns projetos que estão sendo realizados no Haiti a comitiva assistiu em Kay-nou a uma apresentação dos projetos desenvolvidos pelo Viva Rio.

A visita dos senadores foi de suma importância em diversos fatores: O primeiro para que eles pudessem ter uma noção, ainda que superficial, da realidade em que vive o povo haitiano. Segundo para conhecer de perto de que forma a Tropa Brasileira atua e da necessidade da sua presença para a estabilidade do Haiti e para a segurança do povo haitiano.

Após a apresentação dos projetos os membros da comitiva assistiram a uma bela roda de campoeira que contou com quase 100 alunos do projeto. A roda foi super animada e contou até com a ajuda de alguns senadores nas palmas. Agradeço em nome da família Gingando pela Paz a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, na pessoa do seu presidente Senador Eduardo Azeredo, a Embaixada do Brasil, na pessoa do amigo Embaixador Igor Kipman, e demais amigos da embaixada que estiveram presentes, ao Senado Federal pela presença dos demais Senadores, aos Vereadores brasileiros que também integraram a comitiva, ao Comandante do BRABATT 11, e a Tropa, e a todos que contribuíram para a realização deste momento.

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Escola e Capoeira: uma parceria de sucesso

Publicado por flaviosaudade em 19/08/2009

 

O ser humano está em constante evolução e sem sombra de dúvida o estudo é um passo fundamental para isso. Seja na educação formal ou na dita não-formal, ambas fazem parte da construção de cada um. E para a nossa alegria, hoje alguns de nossos alunos poderão se beneficiar de ambas formas de educação. Em parceria com o projeto Tambou Lapé, ou Tabores pela Paz, mais um projeto do Viva Rio, 3 deles poderão frequentar a escola. A escolha é feita através de um sorteio, ou, como eles chamam, Tirage. O sorteio faz parte de um acorde de paz que o Viva Rio mediou entre líderes comunitários que até então rivalizavam-se pelo poder. O acordo prevê, dentre outras ações, a promoção do diálogo em busca de uma cultura de paz e de entendimento e o sorteio de bolsas para crianças dessas áreas, caso não tenha ocorrido mortes por assassinato. 

A possibilidade de oferecer escola para nossas crianças é um passo importantíssimo para o projeto, considerando que a maior parte das crianças não estão ou nunca frequentaram a escola. A capoeira oferece uma oportunidade muito especial para o aprendizado e a sua parceria para a educação formal tem produzido belos resultados. Desta forma, esta oportunidade vem fortalecer ainda mais o nosso trabalho. Na segunda, 24, teremos mais uma tiragem, onde seis de nossos alunos serão sorteados e terão garantidos os estudos. E mais que isso, garantido o direito de desenvolver-se e de buscar a realização dos seus sonhos. 

 

A Capoeira da Escola 

No Brasil a capoeira está presente desde muitos anos nos espaços educacionais e em alguns Estados já existem projetos que prevêem a sua inclusão no currículo escolar. Movimento que já possui alguns bons resultados, como é o caso do Rio Grande do Sul, onde a Federação Riograndense de capoeira assinou um convênio com a Secretaria de Educação daquele estado para a instrodução da capoeira nas escolas públicas. De certo que a capoeira já está presentes nas escolas públicas faz tempo, no entanto esta formalização é uma vitória para todos nós que desejamos ver a nossa arte/luta brasileira devidamente valorizada e incluída na formação do nosso povo. 

É sobre esta parceria, capoeira e escola, que fala o livro dos amigos Mestre Gladson e Vinícus Heine Capoeira: Instrumento Psicomotor para a Cidadania, fruto do trabalho e da dedicação no Projete Liberdade Capoeira. A obra chama a atenção para a diferença entre capoeira na escola e capoeira da escola. Leitura importantíssima para aquele que se esmeira na difícil tarefa de educar, ela oferece ainda inúmeras atividades para serem realizadas com crianças, pais, jovens e adultos. Vale a leitura, a releitura, o estudo, a prática, e acima de tudo a ousadia, como os amigos Gladson e Viníus reforçam bem. Gostaria de agradecer uma vez mais aos amigos pelo exemplar que nos fora ofertado e dizer que já estamos planejando diversas atividades com os nossos alunos. 

Capoeira e Escola, uma parceria de sucesso!

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De volta ao “froint”

Publicado por flaviosaudade em 06/08/2009

 

Cerca de um mês sem postar notícias, estou de volta ao “froint”. Em viagem ao Brasil, desta vez preocupei-me em apenas aproveitar a viagem para curtir a família. No entanto, esta viagem foi um pouco preocupante pelo fato da epidemia (ou pandemia, não sei se já é possível chamar assim) da Gripe A. E devo ser franco. Ainda estou bastante preocupado, pois pelo o que parece os casos só aumentam… Assim, torço, de coração, que se produza logo uma vacina e que todos estejam imune. 

Claro, deparei-me com velhos problemas; tão velhos que passam sem que nos demos conta deles. Tráfico, roubos, violência, e outras anomalias mais. No entanto, encontrei muitas coisas boas que me fizeram muito feliz. Uma delas é a campanha da Lei Seca, que, ao contrário de tirar, tem garantido o sono tranquilo de muita gente e, sem sombra de dúvidas, contribuido para a prevenção contra muitos acidentes no transito. Espero apenas, assim como espero a vacina contra a gripe A, que as pessoas possam efetivamente enxergar os benefícios que isso traz para a sociedade; principalmente a garantia da integridade física daqueles que não fazem uso do alcool ou mesmo dirigem e que muitas vezes sofrem com a imprudência dos que teimam em combinar as duas

  

Gingando pela Paz no Esporte Espetacular

Enquanto isso, trabalhamos para dar continuidade ao projeto que, particularmente, tem demonstrado resultados bastante positivos. Uma prova disso foi a matéria que gravamos para o Esporte Espetacular. A matéria, onde a chamada é para o futebol, mostra alguns flaxes onde é possível ver bem a realidade vivida pelo o povo haitiano à época dos conflitos, em meados de 2004, quando as ruas da Capital foram lavadas de sangue na guerra pelo poder entre grupos rivais. 

Contrapondo a isso, a força da capoeira, com o berimbau no comando, e a força do futebol; dois fenômenos que têm contribuido com grande força para que o Haiti continue firme na luta para a renovação e desenvolvimento. 

E, que não nos enganemos, o Haiti possui muitas, muitas riquezas, apesar de a pobreza ser gritante. E uma delas, sem sombra de dúvida, está no seu povo. Esta é uma verdade que poucos querem ver, mas que não canso de afirmar.

Confiram a matéria no link abaixo:

http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM1089440-7824,00.html

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